Cláudio Campanha, fundador do Comando da Paz, é solto após 18 anos
Cláudio Campanha passa a responder em liberdade após ter progressão concedida pela Justiça da Bahia
Por Da redação.
Um dos nomes mais conhecidos do crime organizado na Bahia nos anos 2000, Cláudio Eduardo Campanha da Silva, apontado como fundador do Comando da Paz (CP), foi solto e passa a responder em liberdade após obter progressão para o regime aberto. O traficante foi solto após a Justiça considerar que ele cumpriu o tempo necessário da pena e apresentou bom comportamento carcerário.
A decisão foi assinada na segunda-feira (4), pela Vara do Júri e Execuções Penais de Lauro de Freitas. A Justiça determinou a expedição do alvará de soltura, desde que não houvesse outra ordem de prisão contra o detento.

Na decisão, a magistrada considerou que Campanha cumpriu o tempo necessário da pena, apresentou bom comportamento carcerário e não possuía impedimentos para receber o benefício.
A progressão para o regime aberto, no entanto, foi condicionada ao cumprimento de uma série de medidas. Entre elas estão a obrigação de manter endereço fixo, o recolhimento domiciliar no período noturno, a proibição de portar armas e de frequentar bares e festas, além do comparecimento periódico à Justiça.
Prisão e condenação
Cláudio Campanha foi preso em novembro de 2008, em um sítio localizado em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. A prisão ocorreu durante uma ação conjunta das forças de segurança do Ceará e da Bahia.
Após a prisão, ele passou por presídios federais de segurança máxima, incluindo unidades em Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). Posteriormente, também foi transferido para unidades prisionais na Bahia, entre elas a Colônia Penal Lafayete Coutinho (CPLC), em Salvador.

Em julgamento pelo Tribunal do Júri, Campanha foi condenado a 14 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por envolvimento em dois homicídios. Segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), ele teria ordenado a morte de Antônio Luiz Lima dos Santos, conhecido como “Bola”, assassinado a tiros em 26 de novembro de 2008, no bairro de Narandiba.
Campanha também foi denunciado por ter mandado matar Daniel dos Santos Souza, em 28 de novembro de 2008, no bairro do Lobato. A acusação relacionada ao segundo caso integrou o processo apresentado pelo Ministério Público.
A sessão do Tribunal do Júri durou quase 11 horas. Segundo a acusação, Campanha comandava uma organização criminosa envolvida com homicídios e com o tráfico de drogas, além de ordenar execuções de integrantes e adversários que tinham dívidas relacionadas à atividade criminosa.
Em 2023, Cláudio Campanha chegou a obter liberdade condicional, mas o benefício foi posteriormente suspenso após a abertura de um procedimento disciplinar.
Comando da Paz

O Comando da Paz (CP) surgiu dentro do sistema prisional baiano e ganhou força em Salvador principalmente entre os anos 2000 e 2010. A organização criminosa chegou a exercer influência em bairros como Cosme de Farias e Nordeste de Amaralina.
Campanha assumiu a liderança do grupo em 2005, após a morte de Eberson Souza Santos, conhecido como “Pitty”, apontado como um dos principais fundadores do CP. Ele morreu durante um confronto com policiais no município de Candeias.
Com o enfraquecimento do Comando da Paz e a prisão de suas principais lideranças, o grupo passou a integrar o Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do país.
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