'Baralho Lilás' expõe foragidos por crimes contra mulher na Bahia

Em meio às denúncias constantes de violência contra a mulher, Governo da Bahia lançou 'Baralho Lilás'

Por Juana Castro.

Nesta sexta-feira (12), o Governo da Bahia lançou o Baralho Lilás, ferramenta inédita no país criada para fortalecer as ações de combate à violência contra a mulher. A iniciativa apresenta 16 foragidos da Justiça envolvidos em crimes cometidos em Salvador, na Região Metropolitana e em municípios do interior do estado.

Baralho Lilás, ferramenta inédita de combate à violência contra a mulher | Foto: GovBA

O Baralho Lilás foi idealizado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) em parceria com a de Políticas para as Mulheres (SPM). A apresentação oficial da ferramenta aconteceu em evento no Centro de Operações e Inteligência (COI), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, com as presenças do governador Jerônimo Rodrigues e dos secretários Marcelo Werner e Neusa Cadore, da SSP e SPM, respectivamente.

As cartas do Baralho Lilás

Entre os 16 foragidos do Baralho Lilás, Salvador possui três nomes, seguida por Jequié e Camaçari, cada uma com dois foragidos. As cidades de Campo Formoso, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itagi, Juazeiro, Central, Candeal e Eunápolis registram um procurado cada.

Entre os crimes atribuídos a esses homens estão estupro, tentativa de estupro, violência doméstica, ameaça, lesão corporal, tentativa de feminicídio, atos libidinosos contra menores e roubo.

Confira abaixo as imagens e a tabela com nomes, crimes e área de atuação dos foragidos:

Carta / Foragido Procurado por Área de atuação
Ás de Paus: Aldeir Santos Carvalho Estupro de vulnerável Campo Formoso
Rei de Paus: Franklin Castro e Souza Tentativa de estupro Lauro de Freitas
Dama de Paus: Tomaz Bispo dos Santos Júnior Estupro Feira de Santana
Valete de Paus: José Guiomar Vieira da Silva Violência doméstica e ameaça Jequié
Ás de Copas: Jocone Saldanha da Silva de Souza Tentativa de feminicídio Vitória da Conquista
Rei de Copas: Isanildo Rebouças da Luz Estupro Itagi
Dama de Copas: Danilo Medeiro dos Santos Ameaça e atos libidinosos com menor Juazeiro
Valete de Copas: Eduardo Oliveira Pereira Santos Violência doméstica Salvador
Ás de Ouros: Jackson Maurício Andrade Estupro Salvador
Rei de Ouros: Paulo Ribeiro dos Santos Tentativa de estupro e agressão Central
Dama de Ouros: Daniel de Jesus Robeiro Tentativa de estupro Candeal
Valete de Ouros: Valmar Santos Oliveira Lesão corporal Jequié
Ás de Espadas: Jhon Lennon Pereira Reis Ameaça de estupro a vulnerável Eunápolis
Rei de Espadas: Jerameelistas de Jesus Oliveira Roubo e estupro Camaçari
Dama de Espadas: Otacildo Varjão de Jesus Lesão corporal Camaçari
Valete de Espadas: Arivaldo Pires Menezes Violência doméstica Salvador

População pode contribuir com o Baralho Lilás

Vale ressaltar que as cartas com fotos e informações dos procurados estarão disponíveis no site do Disque Denúncia: disquedenuncia.ssp.ba.gov.br

A população também pode contribuir com a localização dos suspeitos por meio do telefone 181, canal oficial do Disque Denúncia da Secretaria da Segurança Pública.

Além do 181, saiba como denunciar e onde procurar ajuda em casos de violência contra mulher:

- Ligue 180, serviço telefônico gratuito disponível 24 horas em todo o país;

- Clique 180, aplicativo para celular;

- Ligue 190, se houver uma emergência;

Quer ser avisado primeiro sobre casos como este? Clique AQUI e entre no canal de segurança do Aratu ON no WhatsApp para receber notícias em tempo real.

- Delegacias de polícia;

- Casa da Mulher Brasileira;

- Delegacias da Mulher (se não funcionar 24 horas, o boletim de ocorrência pode ser feito em uma delegacia normal e depois transferido);

- Centros de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, para os casos em que a mulher não se sente segura em procurar a polícia;

- Serviços de Atenção Integral à Mulher em Situação de Violência Sexual, como abrigos de amparo;

- Defensoria Pública, que atende quem não possui recursos para contratar um advogado;

- Promotorias Especializadas na Defesa da Mulher

Feminicídios na Bahia em 2025

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mais de 20 casos de feminicídio foram registrados na Bahia em 2025, segundo levantamento da TV Aratu em abril deste ano. Os dados evidenciam um cenário alarmante de violência contra a mulher no estado, marcado por crimes brutais e reincidência de agressores, mesmo após medidas judiciais.

Em entrevista ao programa Aratu Agora, a advogada Fabiane Almeida criticou a falha no sistema de proteção às vítimas. “Infelizmente a sociedade falhou, o Estado falhou, as ONGs falharam. O botão do pânico deve ser disponibilizado a todas as mulheres vítimas de violência doméstica, no qual o homem está sendo agressor e monitorado por tornozeleira eletrônica”, afirmou.

Um dos casos, ocorrido em novembro, foi o de Ilana Ferreira do Nascimento, de 20 anos, encontrada morta com golpes de faca. Segundo informações, o sogro ainda tentou socorrê-la, mas ela já estava sem vida quando o Samu chegou. O principal suspeito, identificado como Lucas, está foragido.

Casos de feminicídio e estupro de mulheres atingem recorde em 2024

O Brasil registrou, em 2024, o maior número de feminicídios e estupros de mulheres dos últimos cinco anos, segundo dados do Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

De acordo com o levantamento, o país contabilizou 1.459 feminicídios no ano passado — média de quatro mulheres mortas por dia. Trata-se do maior número da série histórica iniciada em 2020. A definição oficial do crime é o assassinato de mulheres “em razão do gênero, em contextos de violência doméstica, familiar, ou por menosprezo e discriminação relacionados à condição do sexo feminino”. O total representa um aumento de 7% em relação a 2020.

A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de feminicídios do país, com 1,87 casos por 100 mil mulheres, acima da média nacional (1,34). O Sudeste teve a menor taxa, com 1,16. Entre os estados, Mato Grosso (2,47) e Mato Grosso do Sul (2,39) lideram os índices. Já Amapá (0,50) e Sergipe (0,84) registraram os menores.

Paralelamente, os homicídios dolosos — quando há intenção de matar — caíram 6,33% em relação a 2023, passando de 37.754 para 35.365 vítimas. Os latrocínios, roubos seguidos de morte, também recuaram: de 972 casos em 2023 para 956 em 2024, uma queda de 1,65%.

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