Caso Benício: médica admite erro em prescrição de adrenalina; criança morreu
Benício, de 6 anos, morreu após receber injeção de adrenalina na veia
Por Da redação.
A morte do menino Benício Xavier, de apenas 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, ganhou novos desdobramentos após um relatório interno da unidade chegar à Polícia Civil do Amazonas. O documento, obtido pela Rede Amazônica, aponta que a médica Juliana Brasil Santos admitiu ter se equivocado na prescrição de adrenalina por via intravenosa. Segundo ela, a medicação deveria ter sido administrada por via oral.
Benício deu entrada na unidade entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24) com um quadro de tosse seca e suspeita de laringite. O pai, Bruno Freitas, relatou que foram prescritas lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa. A família afirma ter questionado a técnica de enfermagem sobre a dosagem, e o menino piorou rapidamente após a primeira aplicação.

Documentos confirmam erro em injeção de adrenalina
O relatório do Hospital Santa Júlia revela que a médica Juliana Brasil Santos chegou a comentar com a mãe do menino que a medicação seria administrada de forma diferente do que foi registrado. Ela também manifestou surpresa pelo fato de a equipe de enfermagem não ter questionado a prescrição, apesar do erro.
Um segundo documento, elaborado pela UTI Pediátrica, reforça que a internação de Benício ocorreu após uma "administração errônea de adrenalina na veia". O relatório aponta que a criança apresentou sintomas graves após a aplicação, incluindo taquicardia, palidez intensa, dificuldade respiratória e sinais de intoxicação no sistema nervoso.

Investigação da morte do menino Benício
Em depoimentos prestados na manhã de sexta-feira (28), a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação, trocaram acusações, forçando a autoridade policial a marcar uma acareação.
A Polícia Civil, por meio do delegado Marcelo Martins, aponta a médica como a principal responsável pela ordem de administração. A técnica de enfermagem, por sua vez, afirma ter apenas seguido a prescrição registrada no prontuário. Ao deixar a delegacia, Raiza Bentes reafirmou que apenas executou a ordem médica.
Diante dos fatos, o delegado solicitou a prisão preventiva da médica, classificando o caso como homicídio doloso, quando há a assunção do risco de matar.
"Se ela permanece em liberdade, pode voltar a trabalhar normalmente e colocar outras vidas em risco. Se não conferiu uma medicação para uma criança de seis anos e o resultado foi morte, quem garante que isso não se repita?", afirmou o delegado Marcelo Martins.
Apesar do pedido de prisão, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) concedeu um habeas corpus preventivo à médica Juliana Brasil Santos, impedindo sua prisão enquanto as investigações sobre a morte de Benício Xavier estiverem em andamento.
Erro médico: relembre outros casos
Em setembro deste ano, três médicos foram indiciados pela morte de Marcos Túlio, de 5 anos, em março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itapuã, bairro mais populoso de Salvador.
Segundo o advogado da família de Marcos Túlio, André Costa, as duas pediatras que atenderam o menino foram indiciadas por homicídio culposo, "por inobservância de regra profissional". Uma delas, a segunda a atender a criança, também foi indiciada por falsidade ideológica, "por entender que uma informação contida no prontuário não representava a realidade dos fatos". Por fim, o diretor médico da UPA também foi indiciado por falsidade ideológica.
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