Michelle sobre estado de saúde de Bolsonaro: 'Negligenciado e torturado'
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (6), Michelle falou que marido sofre várias comorbidades
Por Juana Castro.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, em coletiva de imprensa na noite desta terça-feira (6), que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo "negligenciado e torturado" no sistema prisional. O pronunciamento ocorreu após Bolsonaro sofrer uma queda na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Em entrevista exibida pelo SBT, Michelle detalhou que o ex-presidente teve um "traumatismo craniano leve" ao bater a cabeça em um móvel durante a madrugada e que a situação exige uma avaliação rigorosa. "São várias comorbidades; a gente se preocupa com isso enquanto família", afirmou. Sobre a manutenção da prisão, ela declarou que o marido "não vai fugir" e que "não cometeu nenhum crime".
"Dói vê-lo nessa situação. Passou por uma cirurgia de 12 horas e não teve chances de se recuperar. Só quero a oportunidade de cuidar do meu marido. Se eu pudesse trocar de lugar, eu trocava", disse Michelle, reforçando que "a lei da semeadura é para todos".
Relatório médico sobre Bolsonaro e hipóteses da PF
Apesar das declarações da ex-primeira-dama, o relatório da Polícia Federal (PF) indicou que Bolsonaro estava "consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico" ao ser avaliado na manhã de terça-feira. O documento descreve uma "lesão superficial cortante" no rosto e no pé esquerdo, além de um leve desequilíbrio motor.
A PF aponta quatro hipóteses principais para a queda:
- Interação medicamentosa (remédios que atuam no sistema nervoso central);
- Crise epiléptica;
- Adaptação ao uso de CPAP (aparelho para apneia que pode causar redução de oxigênio no sangue);
- Processo inflamatório pós-operatório.

Andamento jurídico
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de remoção imediata para o hospital DF Star, afirmando não ver necessidade urgente baseada nos laudos iniciais da PF. Em contrapartida, a defesa protocolou novos pedidos médicos solicitando, com urgência, tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
A defesa utiliza o histórico recente de saúde de Bolsonaro - que inclui uma cirurgia de hérnia realizada há seis dias e quadros persistentes de soluços - para reforçar o pedido de "prisão domiciliar humanitária", alegando que o ambiente da carceragem é incompatível com seu estado clínico atual.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).