Eleição para presidente da Câmara de Salvador: entenda cenário e nomes cotados
Entre uma discussão judicial sobre a recondução de Carlos Muniz, Alexandre Aleluia desponta nas articulações
Por João Tramm.
A eleição para presidente da Câmara de Salvador movimenta as negociações políticas para definir quem comandará o Legislativo municipal no biênio 2027-2028. Alexandre Aleluia (Novo) articula novos apoios na Casa, enquanto que o atual presidente, Carlos Muniz (PSDB), recorre no Supremo Tribunal Federal (STF) da decisão que impede sua nova candidatura.
A Câmara Municipal de Salvador tem 43 vereadores. Para vencer a eleição é preciso de maioria absoluta, ou seja pelo menos 22 votos. Nesse cenário, as articulações envolvem a base do governo municipal, partidos de diferentes espectros políticos e integrantes da oposição.

Eleição para presidente da Câmara de Salvador tem apoio de Bruno Reis e ACM Neto a Aleluia
Alexandre Aleluia é apoiado por Bruno Reis e ACM Neto, duas das principais lideranças do grupo político que administra Salvador. Atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara tem buscado ampliar o diálogo com outros edis para fortalecer sua candidatura.
Entre os movimentos recentes está a aproximação com integrantes da oposição. O vereador Carlos Kleber (PSD) foi o primeiro nome desse grupo a declarar apoio a Aleluia, após uma reunião com o presidente municipal do partido, Edvaldo Brito.
Relação com a oposição
Já o líder da oposição, Randerson Leal (Podemos), afirmou que a bancada se reuniu com Aleluia para conhecer suas propostas antes de decidir se apoiará a candidatura. Entre os temas discutidos estão a independência do Legislativo, o cumprimento do regimento interno, a divisão proporcional das comissões e a regulamentação das emendas parlamentares.
Segundo Randerson, Aleluia recebeu positivamente as propostas apresentadas. A bancada, porém, ainda pretende ouvir os partidos antes de definir uma posição conjunta. Ao todo são nove edis da oposição, divididos entre os partidos: PT, PCdoB, PSB, Podemos, MDB, PSD e PSOL.
Em entrevista ao Aratu On, Aleluia demonstrou confiança na possibilidade de ampliar o apoio à sua candidatura. A definição, no entanto, depende da consolidação dos votos e dos desdobramentos do questionamento judicial sobre a permanência de Muniz no comando da Casa.
Apesar do bom trânsito e da avaliação da oposição de que o quadro apresentou um atuação suprapartidária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nomes da bancada se incomodam pelo fato de Aleluia apresentar divergências ideológicas do grupo. Em especial, pela veia da liberdade ecônomica e menor participação do estado que ele defende.
Há correntes, em especial do PSOL, que defendem o lançamento de uma candidatura de um dos quadros da bancada para que tenha uma oposição na eleição. No entanto, uma ala do grupo quer seguir com o nome unificado do Novo e pleitei um melhor espaço na eleição da Mesa Diretora.
Impasse no STF pode interferir na disputa pela presidência
O segundo nome que pretende disputar a presidência é o atual chefe do Legislativo, Carlos Muniz (PSDB), o tucano fez sua gestão com apoio da Prefeitura de Salvador. Nestas eleições, ele não seguiu ACM Neto e Bruno Reis no que tange o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) eleições presidenciais e chegou a fazer o 'L' em alusão a Lula durante uma sessão da Casa.
Além das articulações políticas, a eleição para presidente da Câmara de Salvador envolve uma discussão judicial sobre a possibilidade de Carlos Muniz (PSDB) disputar um novo mandato à frente da Casa.
O PDT recorreu ao STF contra a decisão do ministro Gilmar Mendes que impede, por enquanto, a recondução de Muniz à presidência. O partido argumenta que o período em que o vereador assumiu o cargo por sucessão automática não deve ser considerado um mandato conquistado por eleição direta para presidente.
Em março de 2022, Muniz foi eleito primeiro vice-presidente da Câmara e assumiu a presidência posteriormente, após a saída de Geraldo Júnior (MDB). Segundo a tese apresentada pelo PDT, a primeira eleição direta de Muniz para o comando da Casa ocorreu em 2 de janeiro de 2025. Por essa interpretação, uma eventual vitória para o biênio 2027-2028 representaria sua primeira recondução.
A decisão questionada considera o período em que Muniz já exerceu a presidência após a sucessão. O recurso busca rever esse entendimento, e o resultado pode alterar o cenário de candidaturas à chefia do Legislativo municipal.
O PSDB, partido de Carlos Muniz, e o PDT , que entrou com o recurso defendendo a continuidade do atual presidente, já decidiram seu apoio por Alexandre Aleluia.
Quantos votos Alexandre Aleluia já possui?
A Câmara Municipal de Salvador tem 43 vereadores, e a eleição exige maioria absoluta: são necessários, portanto, pelo menos 22 votos para eleger o presidente. De acordo com Aleluia, sua candidatura já conta com o apoio de 32 nomes do Legislativo, caso a oposição se una, apenas Carlos Muniz estaria se opondo ao nome do Novo.
Alexandre Aleluia passou a buscar apoios após Gilmar Mendes, em 19 de outubro, decidir pela ilegalidade da recondução de Muniz. Apesar disso, o atual chefe do legislativo recorre da decisão, deixando a disputa em aberta.
A eleição definirá quem ficará responsável por conduzir os trabalhos legislativos e administrar a Câmara de Salvador durante o biênio 2027-2028.

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