Crise no STF ganha novo capítulo com contra-ataque de Moraes a Mendonça
Crise no STF se intensifica após Moraes retirar sigilo de decisão que questiona atuação de Mendonça e encaminhar relatórios da PF a Fachin
Por Dinaldo dos Santos.
A crise no STF ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3), após o ministro Alexandre de Moraes reagir à ofensiva de André Mendonça e encaminhar ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma decisão acompanhada de relatórios da Polícia Federal que apontam possíveis irregularidades na condução de investigações pelo colega de tribunal.

Moraes também determinou a comunicação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A medida ocorre um dia depois de Mendonça tornar público material da investigação envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mensagens que mencionam Moraes. Os documentos levantaram suspeitas sobre a relação entre o ministro e o empresário, embora a existência das mensagens, por si só, não comprove que Moraes tenha atendido a pedidos de Vorcaro ou cometido irregularidades.
Agora, o embate passa a atingir diretamente a atuação de Mendonça na condução dos processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero. Segundo os documentos apresentados por Moraes, a Polícia Federal identificou elementos que levantariam questionamentos sobre a forma como o ministro conduziu os procedimentos.
Crise no STF: atuação de Mendonça é questionada
A decisão de Moraes foi tomada no âmbito do Inquérito 4.781, aberto em 2019 para investigar notícias fraudulentas, ameaças, denunciações caluniosas e possíveis esquemas de financiamento e disseminação de fake news contra integrantes do Supremo.
Ao retirar o sigilo, Moraes determinou que o material fosse encaminhado a Fachin “para as providências que entender necessárias”. A documentação também foi enviada à PGR.
Relatórios da PF citados na decisão apontam, entre outros pontos, possíveis tratamentos distintos na condução de investigações e questionamentos sobre decisões tomadas por Mendonça. Há ainda menções a uma suposta atuação seletiva em casos relacionados ao Banco Master. As acusações, contudo, ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes.
De investigado a investigador
A reação de Moraes muda o eixo da crise dentro do STF. Até então, a pressão estava concentrada nas mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e na relação do empresário com autoridades, incluindo Moraes.
O caso ganhou força depois que Mendonça, relator de processos relacionados ao Banco Master, tornou público parte do material produzido pela PF. O ministro também confirmou ter ouvido Vorcaro em um depoimento realizado sem a presença de policiais federais, circunstância que provocou questionamentos dentro da PGR.
Com a decisão desta quinta-feira (3), Moraes passa a questionar formalmente a própria atuação de Mendonça. A iniciativa amplia a disputa interna e coloca o presidente do STF, Edson Fachin, no centro da crise.
Fachin já determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos sobre os episódios envolvendo Vorcaro e os documentos da investigação. O prazo estabelecido foi de cinco dias.
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