VÍDEO: Deolane Bezerra chora após Justiça manter prisão em audiência

Deolane Bezerra é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Por Anna Caroline Santiago.

A Justiça manteve a prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra após audiência de custódia realizada na quinta-feira (21). Durante a sessão, Deolane se emocionou ao afirmar que foi presa “no exercício da profissão”. Ela é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). 

VÍDEO: Deolane Bezerra chora após Justiça manter prisão em audiência.Foto: Reprodução

Em depoimento, a influenciadora afirmou que os fatos investigados ocorreram entre 2019 e 2020 e que os valores recebidos em sua conta bancária seriam referentes à atuação como advogada de um cliente.

Questionada pelo magistrado, Deolane declarou não ter sofrido ilegalidades durante a prisão, mas reclamou da apreensão de objetos pessoais durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão. “Acabaram levando itens pessoais que não dizem respeito a mim, do meu filho”, afirmou.

A advogada de defesa Josimary Rocha solicitou a revogação da prisão preventiva ou a conversão da medida em prisão domiciliar, sob o argumento de que Deolane é mãe de uma criança de 9 anos.

 

 

A defesa também citou entendimento do Supremo Tribunal Federal que prevê a substituição da prisão preventiva por domiciliar em casos envolvendo mulheres com filhos menores, desde que os crimes investigados não envolvam violência ou grave ameaça.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil pediu que a influenciadora fosse recolhida em sala de Estado-Maior ou, na ausência da estrutura, colocada em prisão domiciliar, conforme determina o Estatuto da Advocacia.

Linha de investigação

Segundo as investigações, a empresária seria suspeita de participação em um esquema criminoso de movimentação financeira ligado ao PCC. De acordo com a apuração, contas bancárias da advogada teriam sido utilizadas para transferências de recursos oriundos de uma transportadora de valores supostamente usada no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da facção.

Ainda conforme a Polícia Civil, a influenciadora utilizaria sua projeção pública e presença nas redes sociais para dificultar a identificação das movimentações financeiras ilícitas. As autoridades solicitaram o bloqueio de veículos avaliados em cerca de R$ 8 milhões, além do bloqueio de bens estimados em aproximadamente R$ 300 milhões.

Deolane Bezerra é presa por lavagem de dinheiro ligada ao PCC em SP. Foto: Reprodução redes sociais

Deolane Bezerra é investigada pela Polícia Federal 

Em abril deste ano, uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo artistas e influenciadores digitais avançou para a análise de movimentações financeiras de alto valor associadas a nomes conhecidos. Entre eles estão a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e o empresário Pablo Marçal, que, apesar de citados, não foram alvos diretos da operação.

As informações constam em relatório da PF enviado à Justiça no âmbito da Operação Narco Fluxo. A ação resultou em dezenas de prisões e apreensões de bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões, incluindo veículos. A investigação apura a existência de uma estrutura voltada à ocultação de recursos ilícitos.

CPI das Bets 

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra  prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets  no Senado Federal, também do mês de abril deste ano. 

Investigada pela Polícia Civil de Pernambuco por possível envolvimento em crime de lavagem de dinheiro vinculado a plataformas de apostas online, Deolane foi chamada para explicar à CPI “como influenciadores têm sido utilizados por plataformas de apostas para atrair consumidores”. 

A CPI das Bets teve como foco o papel de influenciadores na divulgação de sites de apostas e nas suspeitas de crimes financeiros associados ao setor.

Em setembro de 2024, Deolane chegou a ser presa por duas semanas no contexto dessas investigações. No ano anterior, conseguiu evitar um depoimento à CPI de Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas por meio de um habeas corpus.

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