Saiba por que Justiça absolveu homem acusado de matar três mulheres na Bahia
O acusado de matar três mulheres, em Ilhéus, no sul da Bahia, foi absolvido no dia 8 de outubro
Por Nilson Marinho.
Thierry Lima da Silva, de 25 anos, apontado pela Polícia Civil como responsável pelas mortes de três mulheres em agosto de 2025, em Ilhéus, no sul da Bahia, foi absolvido pela Justiça por insuficiência de provas. Confira, a seguir, os principais argumentos apresentados para justificar a absolvição.

A decisão, proferida no dia 8 de outubro pela juíza Emanuele Vita Leite Armede, da 1ª Vara Criminal de Ilhéus, aponta fragilidades na investigação e ausência de elementos suficientes para comprovar a participação do acusado nos assassinatos.
Thierry é inocente?
A absolvição não representa uma declaração definitiva de inocência. A Justiça entendeu que a acusação não conseguiu demonstrar, com a segurança necessária, que Thierry era o responsável pelas mortes das três mulheres em Ilhéus. Embora existam indícios contra ele, a juíza concluiu que não são suficientes para sustentar uma condenação.
Mas Thierry não confessou o crime?
Um dos principais argumentos utilizados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) para pedir a condenação de Thierry foi a confissão de um suposto latrocínio atribuída a ele durante a investigação policial.
A Justiça, no entanto, identificou diferenças entre as declarações feitas informalmente pelo acusado a investigadores e peritos e aquelas registradas posteriormente, durante o interrogatório na delegacia. Esse último procedimento ocorreu sem a presença de um advogado e sem gravação audiovisual.
Posteriormente, durante o processo judicial, Thierry negou a autoria das mortes. A Justiça considerou que o depoimento prestado na delegacia não poderia, isoladamente, fundamentar uma condenação. Para isso, seria necessária a existência de outras provas independentes que confirmassem as declarações.
O DNA encontrado junto aos corpos era de Thierry?
Não. O material genético masculino identificado em uma calça preta encontrada junto aos corpos das vítimas não pertencia a Thierry. A peça de roupa também não era utilizada por nenhuma das três mulheres.
Outros investigados foram submetidos a exames comparativos, mas nenhum foi identificado como responsável pelo material encontrado. A identidade da pessoa a quem pertence o perfil genético masculino encontrado na calça permanece desconhecida.
Também não foi identificado DNA de Thierry sob as unhas das vítimas.
Reconhecimento fotográfico
Uma testemunha afirmou ter visto um homem nas proximidades da praia no dia dos assassinatos. Posteriormente, disse acreditar que a pessoa seria Thierry, após visualizar uma fotografia do suspeito no Instagram, depois da descoberta dos corpos.
A Justiça, no entanto, apontou irregularidades no procedimento de reconhecimento. Segundo a sentença, não houve uma descrição prévia do homem por parte da testemunha, e o reconhecimento realizado na delegacia não foi gravado. Além disso, foram apresentadas apenas fotografias de Thierry, sem imagens de outras pessoas para comparação.
A magistrada considerou que o depoimento continuava válido quanto à presença de um homem na região, mas não poderia ser utilizado para comprovar que essa pessoa era Thierry.
Ferimento na perna de uma das vítimas
Segundo os investigadores, Thierry teria mencionado que Mariana, a mais jovem das vítimas, apresentava um ferimento em uma das pernas. A informação foi utilizada pela acusação como um indício de que ele conhecia detalhes dos assassinatos.
A Justiça, entretanto, observou que essa informação não aparecia no interrogatório formal realizado na delegacia. O detalhe foi relatado por um investigador que afirmou ter conversado informalmente com Thierry no dia seguinte à prisão.
A magistrada também destacou que o ferimento já havia sido documentado em laudos periciais produzidos antes da prisão do acusado. Dessa forma, não foi possível comprovar que a informação era conhecida exclusivamente pelo autor dos crimes.
Tentativa de roubo
Segundo a acusação, Thierry teria abordado as três mulheres com a intenção de roubar seus pertences e cometido os assassinatos durante a ação.
No interrogatório policial, o acusado teria afirmado que levou aproximadamente R$ 30 das vítimas. No entanto, nenhum dinheiro ou objeto pertencente às mulheres foi encontrado com ele.
Conforme a sentença, familiares relataram que as vítimas costumavam sair para caminhar sem levar objetos de valor. A Justiça também destacou que alguns pertences permaneceram com os corpos.
Diante disso, a magistrada considerou que não havia provas suficientes para demonstrar a intenção de roubo, circunstância necessária para caracterizar o crime de latrocínio, pelo qual Thierry havia sido denunciado.
Relembre o crime
Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41 anos, a filha dela, Mariana Bastos da Silva, de 20, e a professora Alexsandra Oliveira Suzart, de 45, saíram para caminhar em uma praia de Ilhéus no dia 15 de agosto de 2025.
As três foram encontradas mortas no dia seguinte, em uma área de mata nos fundos da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), nas proximidades da Praia dos Milionários. As vítimas apresentavam dezenas de ferimentos provocados por arma branca e morreram em decorrência de hemorragias causadas pelas lesões.

A Polícia Civil concluiu o inquérito em dezembro de 2025 e apontou Thierry como responsável pelos assassinatos. O Ministério Público ofereceu denúncia por três crimes de latrocínio, mas a Justiça absolveu o acusado por insuficiência de provas.
Após a absolvição, o MP-BA recorreu da sentença e solicitou o restabelecimento da prisão preventiva de Thierry. O pedido urgente foi rejeitado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) em 20 de outubro.
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