Gestora de casa de repouso é condenada a mais de 9 anos de prisão após morte de idosa em Salvador
Gestora de casa de idosos é condenada a nove anos de prisão por maus-tratos contra idosa de 91 anos, que morreu após ser internada com ferimentos e quadro de grave debilidade
Por Rosana Bomfim.
A responsável por uma casa de repouso irregular em Salvador foi condenada pela Justiça a nove anos e quatro meses de prisão por maus-tratos que resultaram na morte de uma idosa de 91 anos. A decisão, proferida nesta terça-feira (29), também determinou o pagamento de R$ 50 mil de indenização por danos morais aos herdeiros da vítima, Edna Catarina da Hora.

A condenação ocorreu a pedido do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA). Na sentença, a Justiça considerou que as provas reunidas no processo demonstraram a ocorrência reiterada de maus-tratos. Entre os elementos analisados estão relatórios técnicos da Vigilância Sanitária, pareceres psicológicos da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati), registros fotográficos e depoimentos de profissionais da área médica, assistentes sociais e policiais.
Casa de repouso funcionava de forma irregular
Segundo a denúncia do MPBA, Vilmara da Cruz Conceição Souza era responsável pela Casa de Repouso Samayra, localizada no bairro de Cassange, em Salvador.
O estabelecimento já havia sido interditado cautelarmente pela Vigilância Sanitária por apresentar condições estruturais inadequadas e insalubridade. Mesmo após a interdição, o local continuou funcionando de forma clandestina e chegou a abrigar mais de 20 idosos sem os alvarás necessários.
O fechamento da instituição foi determinado após atuação do MPBA, por meio da promotora de Justiça Ana Rita Nascimento, em 15 de abril de 2025.

Idosa apresentava ferimentos e sinais de agressão
Ainda conforme a denúncia, entre 2023 e outubro de 2025, Edna Catarina da Hora teria sido submetida a condições degradantes, privação de alimentos e falta de cuidados essenciais.
Em 2 de outubro de 2025, diante do agravamento do estado de saúde da idosa, que apresentava um ferimento profundo no rosto e diversos hematomas, a gestora a levou ao Hospital Professor Eládio Lassére, em Cajazeiras II.
Na unidade de saúde, segundo o processo, Vilmara teria contratado informalmente uma estudante de curso técnico em enfermagem para acompanhar a idosa temporariamente e deixado o hospital levando os documentos da paciente.
A estudante que ficou responsável pelo acompanhamento identificou diversas marcas de agressão no corpo da idosa e sinais de intenso sofrimento. O serviço social do hospital foi acionado e comunicou o caso à Deati e à equipe médica.
Médico descartou hipótese de uma única queda
Durante a apuração, o médico responsável pelo primeiro atendimento relatou que as lesões encontradas no rosto e no corpo da vítima apresentavam diferentes cronologias e padrões.
De acordo com o depoimento, as características dos ferimentos seriam incompatíveis com a hipótese de uma única queda da cama, versão apresentada pela defesa.
Edna permaneceu internada em estado de grave debilidade física e com pneumonia. Ela morreu no dia 7 de outubro de 2025, aos 91 anos.
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