Filho de Mãe Bernadete desabafa após reviravolta em julgamento: "Sentimento de injustiça"

Wellington Pacífico, filho de Mãe Bernadete lamenta adiamento: 'Sentimento de injustiça'

Por João Tramm.

A expectativa de justiça por Mãe Bernadete, nesta terça-feira (24), terminou em decepção. O Filho de Mãe Bernadete lamenta adiamento: 'Sentimento de injustiça' após o júri popular, envolvimento na morte da líder quilombola Mãe Bernadete não ocorrer.

A fala foi feita ao Aratu On e demonstrou a indignação dos familiares e representantes de comunidades tradicionais. A sessão, que estava prevista para julgar dois dos suspeitos pelo assassinato de Mãe Bernadete para esta terça-feira (24), foi remarcada para o dia 13 de abril.

À época do crime, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da própria SJDH, havia pelo menos dois anos em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.

Filho de Mãe Bernadete lamenta adiamento: 'Sentimento de injustiça'

Filho de Mãe Bernadete lamenta adiamento: 'Sentimento de injustiça'

Entre as vozes que reagiram à decisão judicial está a de Wellington Pacífico, gestor cultural e uma das lideranças do Quilombo Pitanga de Palmares. Para ele, a mudança de data representa mais um capítulo doloroso em uma espera que já se arrasta há quase três anos.

“O adiamento foi frustrante. Estamos esperando há quase três anos por justiça e recebemos a notícia, no próprio dia, de que não haveria mais julgamento. Por que não avisaram antes? Era o mínimo”, declarou.

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Wellington afirma que o sentimento predominante na comunidade é de descrença. “Fica a sensação de que a justiça não vai acontecer”, desabafou.

O júri foi adiado após solicitação da defesa dos réus. Estavam previstos para serem julgados Marílio dos Santos, apontado pelo Ministério Público da Bahia como mandante do crime e chefe do tráfico na região, e Arielson da Conceição Santos, indicado como um dos executores.

O pedido de adiamento foi feito porque os advogados que passaram a atuar na defesa assumiram o caso recentemente. Antes, os acusados eram representados pela Defensoria Pública do Estado. Os novos defensores alegaram que não tiveram tempo suficiente para analisar todo o conteúdo do processo.

A nova data para o julgamento foi definida para o dia 13 de abril. Enquanto isso, familiares, amigos e integrantes de comunidades quilombolas seguem aguardando a realização do júri e a conclusão do caso.

Ainda neste mês, familiares da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, receberam uma indenização após firmarem um acordo com o Estado da Bahia pela morte da líder, assassinada em agosto de 2023, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O valor pago não foi divulgado em razão de uma cláusula de confidencialidade.

Foto: Walisson Braga/Conaq

 

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