Defesa nega que dono da Choquei tenha envolvimento em lavagem de dinheiro
Dono da Choquei, Raphael Sousa, foi preso por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão em dois anos
A equipe jurídica da página de entretenimento Choquei se manifestou, nesta terça-feira (21), a respeito da prisão de seu fundador, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos. O empresário foi detido sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão em um período de dois anos.
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Na nota publicada nas redes sociais, a defesa nega qualquer ligação com organizações criminosas. De acordo com as investigações policiais, Raphael exerceria a função de operador de mídia da organização criminosa, atuando na gestão de imagem e promoção digital do grupo.
“Diante dos últimos acontecimentos amplamente noticiados pela imprensa nacional, a equipe que compõe a defesa técnica do Sr. Raphael Sousa Oliveira e da Choquei vem a público prestar esclarecimentos, de forma tranquila, transparente e confiante de que a verdade será restabelecida”, começa a nota.
Entre as atividades atribuídas a ele estão a divulgação de conteúdos favoráveis a artistas investigados, a promoção de plataformas de apostas e rifas, além da atuação estratégica na contenção de crises de imagem relacionadas ao avanço das apurações. A operação também prendeu outros artistas conhecidos, como MC Poze do Rodo, MC Ryan SP e o empresário baiano Diogo 305, proprietário do Camarote 305, interditado durante o Carnaval de Salvador.
A defesa da Choquei justifica que qualquer valor financeiro vinculado à página é proveniente de contratos publicitários regulares com marcas, artistas, gravadoras e agências, seguindo os moldes do mercado de mídia digital.
O comunicado reforça que não existe vínculo com organizações criminosas e que os serviços prestados limitaram-se à atividade econômica lícita de marketing e publicidade. Os advogados destacam ainda que Raphael construiu uma trajetória empresarial sólida ao longo de mais de uma década, com patrimônio declarado e histórico íntegro, sem antecedentes criminais.
"Cabe destacar que o Sr. Raphael construiu, ao longo de mais de uma década, trajetória empresarial sólida e transparente, com patrimônio regularmente declarado, atividade econômica formalizada e histórico íntegro, inexistindo qualquer antecedente criminal ou envolvimento prévio em investigações de natureza semelhante", diz o comunicado.
Raphael Sousa Oliveira está preso desde o último dia 15 e foi encaminhado, na tarde de sexta-feira (17), ao Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia, após a Justiça manter sua prisão preventiva.
A nota oficial encerra informando que o empresário colabora integralmente com as autoridades desde que tomou ciência da operação e que todas as medidas jurídicas cabíveis já foram adotadas. Por respeito ao sigilo das investigações, a equipe jurídica não comentará pontos específicos do processo neste momento, reservando-se a apresentar as provas de inocência perante os órgãos competentes durante o curso da ação penal.
Dono da Choquei diz à PF que ganhava R$ 400 mil por mês com a internet

Em depoimento, Sousa afirmou que fatura mensalmente cerca de R$ 400 mil com a página de fofocas, segundo fontes com acesso à investigação. O perfil da Choquei reúne 27,1 milhões de seguidores, além de uma conta reserva com 5 milhões e 1,4 milhão na conta pessoal do influenciador.
A Polícia Federal informou que pretende cruzar as informações prestadas com dados da Receita Federal, além de relacionar os números com elementos já reunidos no inquérito, que aponta o suposto uso da página em atividades ligadas ao crime organizado.
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Segundo a investigação, o esquema operava com base no chamado "escudo de conformidade", caracterizado pela projeção artística e pelo alto engajamento dos envolvidos. De acordo com os investigadores, esse fator contribuiria para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
Ainda conforme apurado, a organização utilizaria a indústria da música e o entretenimento digital para movimentar recursos, que, segundo a PF, teriam origem em atividades como tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais, sendo apresentados como receitas legítimas do setor artístico.
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