Argentino tem prisão preventiva decretada por injúria racial na Bahia
Investigado por injúria racial em Morro de São Paulo deixou o país após o crime; Justiça determinou prisão preventiva e caso poderá envolver cooperação internacional
Por Laraelen Oliveira.
A Justiça da Bahia decretou, neste sábado (18), a prisão preventiva do argentino Sebastian Fernando Ayala, de 38 anos, investigado por injúria racial em Morro de São Paulo, no município de Cairu. A decisão atende a um pedido da Polícia Civil da Bahia, após a identificação do suspeito e a constatação de que ele deixou o Brasil logo após a repercussão do caso.
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Prisão preventiva é decretada em investigação de injúria racial em Morro de São Paulo
A investigação foi conduzida pela Delegacia Territorial (DT) de Cairu, que instaurou inquérito para apurar o crime ocorrido na noite da última terça-feira (15), em um restaurante localizado na Segunda Praia de Morro de São Paulo.

Segundo as investigações, após o episódio ganhar repercussão nas redes sociais, o suspeito saiu de Morro de São Paulo, seguiu para o Aeroporto de Salvador, embarcou para o Rio de Janeiro e, no mesmo dia, viajou para Buenos Aires, na Argentina.
Argentino é acusado de injúria racial em Morro de São Paulo
O caso ocorreu após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo. Durante a comemoração, dois brasileiros, de 20 e 22 anos, foram alvo de ofensas racistas.
De acordo com o inquérito, Sebastian Fernando Ayala fez gestos que simulavam um macaco em direção a uma das vítimas, comportamento registrado por testemunhas e por vídeos que circularam amplamente nas redes sociais.
À Polícia Civil, as vítimas relataram que o episódio aconteceu dentro de um restaurante onde um grupo de argentinos acompanhava a partida. Após o resultado do jogo, alguns torcedores passaram a provocar brasileiros presentes no local.
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Na decisão, o juiz Marcelo Lagrota destacou que há elementos suficientes para comprovar a materialidade do crime e indícios de autoria, além da necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
O magistrado também afirmou que a saída do investigado do território nacional demonstra uma tentativa de impedir o andamento da persecução penal, especialmente porque ele não possui vínculo formal nem residência fixa no Brasil.

Ao rebater a alegação de que o gesto seria apenas uma "brincadeira", o juiz afirmou que esse tipo de justificativa não descaracteriza o crime de injúria racial.
"A utilização do termo 'brincadeira' para mascarar o preconceito racial é um dos artifícios mais perversos do racismo estrutural, pois tenta esvaziar a gravidade de atos que geram profunda repulsa social", registrou na decisão.
Com a decretação da prisão preventiva, a Justiça determinou a expedição do mandado de prisão e seu registro no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
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Em seguida, a Polícia Civil da Bahia deverá comunicar a Diretoria de Cooperação Internacional da Polícia Federal para adoção das medidas cabíveis, incluindo procedimentos de cooperação jurídica internacional, já que o investigado está na Argentina.
Outro caso recente ocorreu em Salvador, uma mulher, que não teve a identidade divulgada, denunciou ter sido vítima de injúria racial na Estação da Lapa. De acordo com a Polícia Civil, o caso teve início após uma briga envolvendo duas mulheres nas dependências da estação. Informações iniciais apontam que a suspeita teria proferido ofensas de cunho racista, chamando a vítima de "macaca".
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