Por que árbitros ingleses não apitam jogos da Argentina na Copa do Mundo?
A FIFA evita escalar árbitros ingleses para jogos da Argentina e, da mesma forma, árbitros argentinos para partidas da Inglaterra
Por Dinaldo dos Santos.
A presença de árbitros ingleses em partidas da Argentina na Copa do Mundo é praticamente descartada pela FIFA. Embora a entidade não tenha uma regra escrita específica sobre o tema em seu regulamento público, ela adota, há décadas, um critério de designação que leva em conta fatores geopolíticos para evitar qualquer questionamento sobre a imparcialidade da arbitragem.
Por que árbitros ingleses não apitam jogos da Argentina
O motivo está relacionado à Guerra das Malvinas, conflito travado entre Reino Unido e Argentina em 1982 pela soberania do arquipélago conhecido pelos britânicos como Falklands. A guerra deixou centenas de mortos e continua sendo um tema sensível nas relações entre os dois países, especialmente para os argentinos.

Por essa razão, a FIFA evita escalar árbitros ingleses para jogos da seleção argentina e, da mesma forma, árbitros argentinos para partidas da Inglaterra. O objetivo é eliminar qualquer possibilidade de suspeita de favorecimento ou influência decorrente do histórico conflito entre as duas nações.
Além dessa restrição geopolítica, também vale a regra geral da FIFA que impede árbitros de apitarem jogos envolvendo o próprio país. Assim, um árbitro inglês jamais pode comandar uma partida da Inglaterra em competições internacionais.
Na Copa do Mundo de 2026, os ingleses Michael Oliver e Anthony Taylor são exemplos dessa situação. Ambos figuram entre os principais árbitros do futebol mundial e são considerados candidatos para jogos decisivos.

No entanto, enquanto a Argentina permanecer viva no torneio, eles ficam automaticamente fora da disputa por partidas da equipe sul-americana e também perdem força na corrida pela final, caso os argentinos avancem até a decisão.
Neutralidade da arbitragem
O mesmo cenário ocorreu na Copa do Mundo de 2022. Anthony Taylor aparecia entre os favoritos para apitar a final, mas deixou de ser considerado quando a Argentina garantiu vaga na decisão contra a França, justamente em razão desse protocolo adotado pela FIFA.
Na escolha das equipes de arbitragem, a FIFA considera não apenas o desempenho técnico dos árbitros ao longo da competição, mas também critérios como neutralidade, ausência de conflito de interesses e aspectos geopolíticos. O objetivo é preservar a credibilidade das partidas e reduzir qualquer possibilidade de controvérsia envolvendo a arbitragem.
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