Bahia e FIEB reagem a tarifaço dos EUA e alertam para impacto na indústria baiana
Em nota conjunta, Governo da Bahia e FIEB criticam as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmam que medida pode afetar setores estratégicos da economia e das exportações baianas
Por Victor Hernandes.
O Governo da Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) se manifestaram contra a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em nota conjunta divulgada na noite desta sexta-feira (24), as instituições classificaram a medida como prejudicial à indústria baiana e demonstraram preocupação com os impactos sobre as exportações do estado.

Além da nova cobrança, o Executivo baiano e a FIEB também criticaram a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros desde o último dia 22 de julho. Segundo as entidades, a medida é unilateral e compromete relações comerciais consolidadas entre os dois países.
Na nota, Governo da Bahia e FIEB afirmam que a iniciativa "penaliza relações comerciais construídas ao longo de décadas, atinge cadeias produtivas integradas entre os dois países e transfere, de forma arbitrária e sem justificativa plausível, seus custos a trabalhadores, empresas e consumidores, ferindo os princípios da economia de mercado defendida pelos EUA".
As instituições também demonstraram preocupação com a nova tarifa anunciada pelo governo do presidente Donald Trump na quinta-feira (23), dentro de um pacote global que atinge cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos sob a justificativa de fiscalização insuficiente sobre trabalho forçado.
Segundo a FIEB, a nova tarifa de 12,5% se soma aos 25% já em vigor, ampliando as sanções comerciais impostas aos produtos brasileiros.
Tarifaço dos EUA pode afetar um terço das exportações da Bahia
De acordo com a nota conjunta, os impactos para a Bahia são diretos. Com base nas exportações de 2025, US$ 273,1 milhões em produtos baianos permanecem sujeitos às tarifas, o equivalente a 33,2% dos US$ 821,4 milhões exportados pelo estado aos Estados Unidos no período.
Segundo a FIEB, os setores mais afetados são os de papel e celulose, borracha e plásticos e produtos químicos, que concentram quase 90% do valor das exportações atingidas. A entidade afirma ainda que, considerando as condicionantes previstas em parte das isenções, o percentual da pauta exportadora baiana sujeito às tarifas pode chegar a 40,4%.
A federação também alerta para impactos significativos sobre a cadeia de calçados e couro, considerada uma das principais geradoras de emprego no interior da Bahia.
Governo da Bahia e FIEB defendem negociação com os Estados Unidos
Na nota, o Governo da Bahia e a FIEB manifestaram apoio ao Governo Federal nas negociações diplomáticas e técnicas com os Estados Unidos e defenderam que o diálogo seja o principal caminho para superar o impasse comercial.
Entre os pleitos apresentados pelas instituições estão:
-
a reinclusão da celulose solúvel (HTSUS 4702.00.00) na lista de produtos isentos das tarifas;
-
a inclusão dos pneumáticos e dos produtos químicos e petroquímicos do Polo Industrial de Camaçari nas próximas rodadas de negociação para a lista de exceções;
-
a adoção de medidas de proteção ao mercado interno, como alíquotas de importação e medidas antidumping para produtos petroquímicos, além da criação de preço de referência para pneumáticos;
-
a manutenção das isenções já concedidas para cadeias produtivas estratégicas, como celulose branqueada, cacau e derivados, combustíveis, fruticultura irrigada e café.
Segundo o Governo da Bahia e a FIEB, as duas instituições atuarão de forma coordenada para defender a indústria baiana, preservar empregos e apoiar o Governo Federal na busca por uma solução negociada para as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Qual o impacto do novo tarifaço de Trump na Bahia?
A Federação das Indústria do Estado da Bahia (FIEB) emitiu nota técnica que analisa os efeitos do novo tarifaço de Trump na Bahia. O governo norte-americano impôs um novo tarifaço de 25% sobre produtos baianos importados pelo país, na quarta-feira (15).
Na avaliação da FIEB, a medida reforça ainda mais a queda de participação dos produtos baianos na pauta de exportação para os Estados Unidos, que vem decrescendo ao longo dos últimos 24 anos e coloca o país como quarto maior destino das exportações baianas.
Em 2001, os Estados Unidos representavam 35% das exportações do estado, em 2025, este volume correspondeu a 7,1%. E a tendência é de queda para 2026, com um volume equivalente a 6,1%.
Os segmentos industriais mais afetados pela medida são os de fabricação de papel e celulose, produtos de borracha e plásticos (pneus) e químicos (petroquímicos básicos).
Diante desse cenário, a FIEB recomenda prioridade nas negociações com os EUA para incluir novamente a celulose solúvel, pneumáticos e produtos químicos na lista de isenções, bem como a adoção de medidas de apoio aos setores afetados para minimizar suas perdas.
Em relação à eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, a entidade defende que “qualquer resposta deve ser calibrada, seletiva e baseada em estudos de impacto setoriais, de modo a preservar insumos e bens de capital críticos e evitar custos adicionais para a indústria nacional”.
O impacto e efeitos da medida estão sendo monitorados pelo Observatório da Indústria da Bahia e suas áreas técnicas. A FIEB também está orientando as indústrias do estado bem como vem mantendo a interlocução com empresas, sindicatos industriais, CNI e órgãos governamentais para reunir evidências, apoiar pleitos setoriais e contribuir para medidas de mitigação.
Trump oficializa tarifaço de 50% sobre produtos do Brasil
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA), assinou nesta quarta-feira (30) um decreto executivo que impõe oficialmente o "tarifaço" de 50% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor em 6 de agosto, sete dias após a assinatura.
Segundo o texto do decreto, o aumento da tarifa é justificado por uma “emergência nacional”, motivada por políticas e ações “incomuns” e “extraordinárias” do governo brasileiro. Trump alega que tais práticas ameaçam empresas americanas, a liberdade de expressão nos EUA, além da política externa e da economia do país.
O presidente também mencionou como justificativa a “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão se baseia na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, que autoriza ações presidenciais em tempos de crise internacional.
O decreto de Trump aponta diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como um agente de abuso judicial. A Casa Branca acusa Moraes de utilizar decisões monocráticas para intimidar opositores políticos desde 2019. Como resposta, o ministro foi incluído na lista de sanções da Lei Magnitsky, que permite bloqueios de bens nos Estados Unidos e restrições bancárias.

LEIA MAIS: Quais são principais setores da economia da Bahia? Veja
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).