Saúde e Bem-Estar

Quando a conexão vira vitrine

Tainã Gama
Colunista On: Tainã GamaA mentora de expressões
Quando a conexão vira vitrineFoto: Ilustrativa/Pexels

Não estamos apenas mais distantes uns dos outros. Estamos terceirizando para a imagem a tarefa de dizer quem somos.

As ferramentas criadas para conectar acabaram ampliando uma distância ainda mais perigosa: aquela que existe entre a pessoa e ela mesma.

Não há nada de errado em guardar uma boa fotografia. O problema começa quando a iluminação se torna mais importante do que aquilo que o coração reconheceu. Quando o lugar precisa parecer bonito, ainda que ninguém esteja verdadeiramente presente nele.

Estamos cercados por sinais de contato e, ainda assim, famintos de encontro.

Visualizamos, curtimos, comentamos e compartilhamos. Sabemos onde alguém esteve, o que comeu e até a roupa que usou. Mas será que sabemos como essa pessoa está?

Há quem acompanhe tudo o que você publica e não conheça nada do que você vive. Porque visibilidade não é intimidade. Interação não é vínculo. Audiência não é amizade.

As ferramentas criadas para conectar acabaram ampliando uma distância ainda mais perigosa. | Foto: Ilustrativa/Pexels

A tecnologia diminuiu o tempo necessário para uma mensagem chegar, mas também parece ter diminuído o tempo que permanecemos inteiros diante de alguém. Conversamos olhando para outra tela. Escutamos enquanto respondemos a outra pessoa. Estamos em vários lugares e, justamente por isso, não estamos completamente em nenhum.

E não é a tela, sozinha, a responsável por isso. Ela apenas amplifica o modo como escolhemos viver e nos relacionar.

Talvez a pergunta necessária seja: em que momento começamos a acreditar que uma experiência precisava ser mostrada para ter valor?

Nem tudo o que importa será publicado. Nem toda felicidade precisa de testemunhas. Nem toda conversa precisa ser interrompida para virar conteúdo.

Há momentos que só revelam sua verdadeira beleza quando ninguém está tentando enquadrá-los.

É hora de recuperar o que nenhuma tecnologia consegue substituir: a atenção sem distrações, a conversa que não tem pressa, o silêncio confortável e a sensação de estar inteiro onde o corpo está.
Porque conexão de verdade não precisa de enquadramento. Precisa de presença.

Se essa reflexão fez sentido para você, me acompanhe nas redes: @decidaseexpressar e @gamatai.

O que você sente, pensa e quer importam. Até a próxima.

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Tainã Gama

Tainã Gama

A mentora de expressões Tainã Gama é jornalista, radialista e psicoterapeuta transpessoal sistêmica. Especialista em Psicologia Positiva, bem-estar e autorrealização pela PUCRS e em Gestão de Pessoas para Alta Performance pelo ISEO, dedica sua trajetória a transformar a forma como pessoas e negócios se expressam e se relacionam. Com formações em Coaching Ikigai, PNL e certificações em Inteligência Emocional e Reaprendizagem Criativa, traz uma visão profunda e sistêmica da comunicação e da relação humana. Criadora do Decida Se Expressar, acredita que comunicar-se bem é mais do que falar: é construir conexões genuínas que fortalecem a vida e os relacionamentos.

Instagram: @gamatai e @DecidaSeExpressar

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