Cidadania

A democracia começa perto de nós

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
A democracia começa perto de nósFoto: Imagem gerada por IA

Antes de cobrar mudanças no país, é preciso participar das instituições que representam nossas categorias, comunidades e interesses.

Você já reparou como o brasileiro reclama da política? Reclama do presidente, do governador, do prefeito, dos deputados, dos vereadores. Reclama da corrupção, da falta de eficiência, da má gestão.  Mas eu vou fazer uma pergunta: e nós, estamos fazendo a nossa parte? 

Existe um velho ditado que diz que “macaco não olha para o próprio rabo”. Nós cobramos do Estado aquilo que muitas vezes não praticamos na nossa própria vida. 

Você participa da associação da sua categoria, do sindicato da sua profissão, da cooperativa, federação ou da confederação que representa os seus interesses? Se você é empresário, participa da sua associação comercial? Se é médico, participa da sua entidade de classe? Se é policial, motorista, de aplicativo, taxista, agricultor ou professor, participa das instituições que representam a sua categoria? E dentro da sua própria casa, você acompanha a administração do seu condomínio, participa da eleição do síndico, fiscaliza como o dinheiro está sendo aplicado, cobra transparência e resultados? 

Se nós não conseguimos participar e fiscalizar as organizações que estão mais próximas de nós, como vamos exigir uma democracia forte no país inteiro? 

A democracia não começa em Brasília; ela começa na sociedade civil organizada. Começa quando o cidadão participa, acompanha, fiscaliza e ajuda a escolher os legítimos representantes da sua categoria. É desse ambiente que surgem novas lideranças. É daí que nasce uma representação mais qualificada para ocupar os espaços da política. 

Não podemos continuar aceitando nas nossas entidades aquilo que criticamos no governo. O Brasil só vai mudar quando cada brasileiro compreender que cidadania não é apenas o direito de reclamar; é participar, fiscalizar, cobrar e construir. 

O amadurecimento da consciência cidadã participativa começa exatamente nas pequenas decisões, nas entidades mais próximas, nos espaços onde cada um pode exercer sua fração de poder. Afinal, o futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora.

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Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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