Economia

Antes de mudar o Brasil, a classe produtiva precisa mudar o método

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Antes de mudar o Brasil, a classe produtiva precisa mudar o método

Todo empresário brasileiro tem razões para reclamar. Reclama da elevada carga tributária, da burocracia, dos órgãos fiscalizadores, da insegurança jurídica e da falta de representatividade no Congresso Nacional para defender as pautas do setor produtivo. Essa é uma realidade.

Mas essa constatação me leva a uma pergunta que considero indispensável: nós, empresários, estamos realmente fazendo a nossa parte? Participamos das nossas associações comerciais, dos sindicatos patronais, das federações e das confederações que representam os nossos interesses? Comparecemos às assembleias? Acompanhamos as decisões? Elegemos os nossos representantes?

Coluna Paulo Cavalcanti 1

Como podemos reclamar tanto da falta de representatividade se não fortalecemos as instituições que existem justamente para representar a classe produtiva?

Os trabalhadores, em geral, reconhecem seus sindicatos como entidades que defendem seus interesses. Existe um sentimento de pertencimento. E nós, da classe produtiva? Não estamos excessivamente fragmentados? Não estamos, muitas vezes, mais preocupados com disputas de protagonismo do que com a construção de convergências? Temos plena consciência da força que o setor produtivo possui quando atua de forma unida?

Coluna Paulo Cavalcanti 2

Vale a pena refletir sobre isso. Se queremos resultados diferentes, precisamos mudar o método. Fazendo as mesmas coisas, continuaremos obtendo os mesmos resultados.

A transformação começa dentro da própria classe produtiva. Ela passa pela participação, pelo fortalecimento das entidades representativas, pela convergência de esforços, pelo sentimento de pertencimento e unidade.

É hora de assumir esse compromisso. Vamos participar mais das nossas associações, federações e confederações. Vamos fortalecer a representação legítima do setor produtivo e construir, juntos, uma voz mais forte para defender os interesses de quem produz, empreende, gera emprego e movimenta a economia brasileira.

O futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora.

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