Quando o adversário deixa de ser humano
Não há muito tempo, os torcedores do Bahia e do Vitória iam juntos à antiga Fonte Nova, dividiam a mesma carona, sentavam-se na mesma arquibancada e voltavam juntos para casa. Um ganhava, outro perdia. Havia brincadeiras, provocações e gozação, mas a amizade continuava. A camisa dividia a torcida, não destruía os vínculos.
Em algum momento, perdemos esse limite. A rivalidade virou fanatismo. Surgiram confrontos, emboscadas e mortes. A pessoa deixou de enxergar o ser humano e passou a enxergar apenas a camisa adversária.
E essa anomalia ultrapassou os estádios. Chegou à política, às universidades, às redes sociais e até às famílias. Hoje, não basta discordar de uma ideia; é preciso desqualificar, humilhar e silenciar quem pensa diferente. Primeiro, o outro é rotulado. Depois, ridicularizado. Por fim, sua agressão passa a ser tolerada ou até comemorada.
Democracia não é ausência de conflitos. Democracia é a capacidade de discordar sem eliminar o adversário, reconhecendo que ele continua sendo cidadão, humano, e merece a mesma dignidade que você.
E o que ainda vamos esperar? É urgente unir famílias, escolas, universidades, empresas, entidades e lideranças para desenvolvermos nossa inteligência cidadã. Quem tem voz precisa falar. Quem tem capacidade precisa agir. Quem pode transformar precisa se unir.
A transformação não virá daqueles que lucram com o conflito. Virá da sociedade, da consciência, da participação e da convergência dos cidadãos.
Nenhum país evolui além da inteligência dos seus cidadãos.
O futuro do Brasil é da nossa conta, e ele precisa começar agora. Não podemos esquecer disso jamais.
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