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27/11/2023 18h08 | Atualizado em 27/11/2023 18h29

Celso Athayde diz que Cufa começou em Salvador: ‘achava que a Bahia era um lugar resolvido’

Empresário disse que, ao chegar aqui, percebeu que existiam muitos problemas

Celso Athayde diz que Cufa começou em Salvador: 'achava que a Bahia era um lugar resolvido'
Juana Castro

com Mateus Xavier

Pouca gente sabe, mas a Central Única das Favelas (Cufa) teve início na capital baiana, segundo informou Celso Athayde, criador da entidade. “Aqui em Salvador foi onde a Cufa começou. Pouca gente sabe disso, mas, há 26 anos, eu achava que a Bahia era um lugar resolvido, onde todos os pretos eram Gilberto Gil, mas quando chegou aqui não era bem não era bem assim. Existiam muitos problemas”, disse, em entrevista ao Aratu On.

A declaração foi feita ao portal na última sexta-feira (24/11), durante o Encontro de Agências de Publicidade e Propaganda (Enapro), realizado no Instituto Baleia Jubarte, em Praia do Forte, Mata de São João, a cerca de 80 km de Salvador.

Com a percepção dos problemas, ele disse que começou a pensar em como poderia contribuir para mudar esse quadro. “Em Salvador começou a ideia de fazer a Cufa, aí quando eu chego no Rio de Janeiro, começamos a efetivar aquilo que sonhamos aqui. Hoje, a Cufa é realidade, mas meu sonho é que não exista mais, nem em Salvador, nem em nenhuma parte do país, porque a gente quer que a favela seja uma coisa do passado”, acrescentou.

Segundo Athayde, as ações em cada cidade onde a Cufa tem unidade. Elas dependem muito da vocação daquelas lideranças e daquele lugar. Na pandemia, por exemplo, ele citou que a Central fez muitas ações na Grande Salvador, incluindo entrega de botijões de gás, ‘Mulheres na Cufa’, que promoveu debates, iniciativas de alimentação e até iniciação esportiva, com a ‘Taça das Favelas’, voltado ao futebol feminino.

O empresário também comentou sobre a Expofavela, na ocasião, cujo objetivo principal é o “encontro entre os empreendedores da favela e os investidores do asfalto”. Segundo Celso Athayde, a metade dos participantes, aproximadamente, é de mulheres. “É uma forma de fazer, também, com que elas possam ascender socialmente e possam sonhar muito mais”, completou.

NOVEMBRO NEGRO

Confira o que disse Celso Athayde sobre o Novembro Negro: “É preciso marcar, mas a violência que os pretos sofrem não é algo novo, existe desde que o país foi fundado num modelo escravocrata. Temos duas agendas, hoje, que acho fundamentais: a da reparação, que precisa existir, e a que precisamos mostrar o que a gente já avançou, pra não parecer, também, que a gente ficou estagnado no mesmo lugar. Os negros estão em vários momentos da sociedade, em vários extratos sociais e a gente precisa olhar e perceber para também ser referência positiva, e não apenas ser lembrados como aqueles que estão em uma situação de dificuldade.

A gente sabe que nas favelas a maioria é de pessoas negras, mas acho que ter momentos como esse [novembro negro], fazer reflexões desses momentos simbólicos, são importantes, […] e que esse debate seja ampliado para quem também não é negro. É uma questão de toda a sociedade”.

FAVELAS NO BRASIL

Athayde comentou ainda que a Cufa está, atualmente, em 5 mil favelas no Brasil, mas, para ele, o ideal é que não existisse nenhuma. “O ideal é que a gente tivesse um projeto de habitação real em que esse déficit habitacional fosse uma coisa do passado”, cobra.

Porém, como existem, o empreendedor reforça que é preciso levar “alento e chance para essas pessoas”. “Do contrário, você vai ter um país que cresceu, se desenvolveu, e se a favela não se desenvolver, a gente só vai ter, na verdade, um distanciamento do país que cresceu, virou primeira potência mundial, e a favela que ficou no mesmo lugar. E no meio vai ter um caos”, conclui.


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