Cortejo do Senhor do Bonfim chega à Colina Sagrada após cinco horas
Cortejo do Senhor do Bonfim chega à Colina Sagrada após cinco horas de percurso, sendo recebido com fogos de artifício e sinos
Por Laraelen Oliveira.
Na capital baiana centenas de devotos acompanham o cortejo do Senhor do Bonfim até o seu destino final, a Colina Sagrada. Após cinco horas de trajeto, o cortejo finalmente chegou à última parada, por volta de 13h, sendo recebida por fogos de artifício e sinos. A caminhada teve início às 7h40.
Lavagem das escadarias da basílica
Após a chegada na Colina, o padre Edson Menezes da Silva, reitor da Basílica do Senhor do Bonfim, transmitiu da janela central do templo uma mensagem e concedeu a tradicional bênção, apresentando a imagem. O ritual da lavagem das escadarias, feito pelas baianas, acontece em seguida.

No século XIX, negros e negras escravizados eram colocados para realizar uma grande limpeza na igreja antes das missas. Com o passar dos anos, os africanos e seus descendentes associaram a lavagem ao culto ancestral a Oxalá e deram seus próprios significados à celebração. Daí surgiu o costume das mulheres vestidas de branco lavarem o adro e as escadarias da basílica.
“A data representa a constatação de uma fé que continua viva nos nossos corações e uma oportunidade para cada um ter voz, vez para se expressar, demonstrar e, assim, caminhamos juntos até a Colina Sagrada”, disse o padre Edson Menezes ao longo do cortejo.
"Que o Senhor do Bonfim nos abençoe, nos proteja, mas, sobretudo, nos conceda muita paz e a contenção da violência”, acrescentou.
Lavagem do Bonfim reformula significado e se transforma em ato cultural
A Lavagem do Bonfim é uma das mais tradicionais manifestações religiosas e culturais da Bahia, especialmente de Salvador. Ela une elementos do catolicismo e das religiões de matriz africana, sendo um forte símbolo do sincretismo religioso brasileiro.

A festa acontece em homenagem ao Senhor do Bonfim, santo católico associado a Oxalá no candomblé. O momento mais simbólico é a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, feita com água de cheiro por baianas vestidas com trajes tradicionais.
Surgiu no século XVIII. Inicialmente, a lavagem era uma tarefa doméstica realizada por pessoas escravizadas, mas com o tempo ganhou caráter religioso, cultural e político, tornando-se um grande ato público.
A travessia pelas águas, organizada pelo Santuário do Senhor do Bonfim, faz parte dos preparativos que antecedem a tradicional Lavagem do Bonfim. Na data, a imagem retorna em caminhada até a Colina Sagrada, no Bonfim.
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