QR Code: a história do método japonês de leitura de códigos; confira

Diferente dos códigos de barras tradicionais, o QR Code pode conter uma grande quantidade de dados, incluindo textos, URLs e muito mais

Por Rosana Bomfim.

QR code é um código de barras bidimensional, que armazena informações de forma rápida e eficiente, podendo ser lido por dispositivos como smartphones e leitores específicos, diferente dos códigos de barras tradicionais. 

Criado em 1994, por Masahiro Hara, engenheiro da DENSO WAVE, o QR Code nasceu da necessidade de armazenar mais informações de forma rápida e eficiente, tornando-se um ícone da tecnologia global.

Criador do QR Code | Foto: Ilustração Masahiro Hara

Problema das caixas registradoras

Na década de 1960, o Japão vivia seu período de alto crescimento econômico. Supermercados que vendiam desde alimentos até roupas começaram a se multiplicar nos bairros, e com eles surgiu um problema inesperado: as caixas registradoras exigiam que os preços fossem digitados manualmente. Muitos operadores sofriam de dormência nos pulsos e síndrome do túnel do carpo.

“Os caixas ansiavam desesperadamente por uma maneira de aliviar seu fardo”, lembra Hara em entrevista sobre os primórdios do projeto.

A solução inicial veio com a invenção dos códigos de barras, que automatizavam a leitura de preços. Contudo, esses códigos tinham suas limitações: só podiam armazenar cerca de 20 caracteres alfanuméricos.

QRcode: desafio de criar um código maior

Usuários procuraram a DENSO WAVE INCORPORATED solicitando algo mais potente: “Gostaríamos da capacidade de codificar caracteres Kanji e Kana, além dos alfanuméricos”, relatam os registros da empresa. Motivada por esses pedidos, a equipe de Hara iniciou o desenvolvimento de um novo código bidimensional.

“O que nos diferenciava de outras empresas que tentavam códigos 2D era que nosso objetivo não era apenas incluir o máximo de informação, mas garantir que pudesse ser lido rapidamente e de forma confiável”, explicou Hara.

Inovação em cada detalheQr Code  | Foto: Pexels | Ilustração

O maior desafio da equipe era a leitura em alta velocidade. A solução veio com os padrões de detecção de posição em forma de quadrados, cuja proporção única de áreas pretas e brancas (1:1:3:1:1) garantia que o código pudesse ser escaneado de qualquer ângulo.

“Escolhemos o formato quadrado porque era o padrão menos provável de aparecer em documentos comerciais, evitando confusões na leitura”, disse Hara. Após um ano e meio de desenvolvimento e dezenas de testes, nasceu o QR Code, capaz de codificar cerca de 7.000 números e caracteres Kanji, e ser lido mais de 10 vezes mais rápido que os códigos existentes.

Lançamento e aceitação no mercado

Em 1994, a DENSO WAVE anunciou oficialmente o lançamento do QR Code. O nome, que significa “quick response” (resposta rápida), refletia a prioridade do projeto: alta velocidade de leitura.

“Confiei no desempenho do código e estava ansioso para apresentá-lo às empresas, esperando que se tornasse amplamente utilizado”, lembra Hara. O QR Code logo foi adotado pela indústria automobilística, ajudando na gestão de produção, logística e emissão de comprovantes. Inclusive, o Ferry-Boat aderiu este método para leitura de pagamentos de passagens em 2024.

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Do setor industrial ao cotidiano

Com o tempo, setores como alimentos, farmacêutico e de lentes de contato começaram a usar o QR Code para rastrear seus produtos e aumentar a transparência da produção. Incidentes como o problema da BSE reforçaram a necessidade de monitoramento detalhado da cadeia de produção — e o QR Code tornou-se indispensável.

Outro fator decisivo para sua disseminação foi a decisão da DENSO WAVE de tornar o código público, permitindo seu uso gratuito e sem restrições. “Queríamos que o QR Code fosse usado pelo maior número possível de pessoas”, afirmou Hara.

Em 2002, a popularização de celulares com leitores de QR Code acelerou sua adoção pelo público em geral. Hoje, o QR Code é onipresente: usado para acessar sites, cupons, cartões de visita, bilhetes eletrônicos e até passagens aéreas, consolidando-se como um dos símbolos mais reconhecíveis da revolução digital.

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