PM suspeito de atirar em motorista em Salvador tem prisão mantida pela Justiça
Defesa pediu revogação da prisão preventiva, mas Justiça determinou manifestação do Ministério Público antes de decidir sobre a soltura do PM
Por Victor Hernandes.
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve, neste momento, a prisão do PM suspeito de atirar em um motorista durante uma discussão de trânsito em Salvador. Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim foi preso nesta quarta-feira (2), na capital baiana.

Após passar por audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (3), a Justiça determinou que o PM permaneça recolhido sob custódia e à disposição do juiz, ficando a cargo da Coordenação da Custódia Provisória da Polícia Militar da Bahia.
O pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela defesa não foi analisado de forma definitiva durante a audiência de custódia. A juíza responsável pelo caso, Martha Carneiro Terrin e Souza, determinou que o Ministério Público da Bahia (MP-BA) se manifeste sobre o pedido no prazo de 48 horas.
Somente após o parecer do Ministério Público o processo deverá retornar para análise da magistrada, que decidirá pela revogação ou manutenção da prisão preventiva, conforme documento obtido pelo Aratu On.
Defesa pede revogação da prisão do PM suspeito de balear motorista
Os advogados de Rodrigo alegaram que ele se apresentou voluntariamente tanto à Corregedoria da Polícia Militar quanto à Delegacia de Polícia. Segundo a defesa, o PM também teria demonstrado disposição em colaborar com a apuração dos fatos e com o andamento das investigações.
A defesa apresentou ainda documentos relacionados à situação familiar do PM. De acordo com os advogados, Rodrigo tem três filhos e a filha mais velha possui uma enfermidade rara. A defesa afirma que o PM é o principal provedor financeiro da família e que o sustento do núcleo familiar depende dele.
Além do pedido de revogação da prisão preventiva, os advogados apresentaram uma alternativa para o caso de a magistrada decidir pela manutenção da medida. A defesa pediu a concessão de liberdade provisória, com ou sem a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, como o uso de tornozeleira eletrônica ou o comparecimento periódico em juízo.
O que decidiu a Justiça
Durante a audiência de custódia, a juíza avaliou a legalidade da prisão e as circunstâncias em que o mandado foi cumprido. Conforme a decisão, não foram identificadas irregularidades no cumprimento da ordem judicial nem relatos de violência ou maus-tratos contra o PM.
A magistrada destacou ainda que questões relacionadas ao pedido de revogação da prisão preventiva e às condições pessoais de Rodrigo — como a apresentação voluntária às autoridades, a existência de três filhos e a alegação de que é o provedor da família — deverão ser analisadas no processo principal.
Dessa forma, a decisão sobre a manutenção definitiva ou eventual revogação da prisão preventiva ainda depende da manifestação do Ministério Público e de uma nova análise da magistrada.
Entenda o caso
Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim foi preso nesta quarta-feira (2), em Salvador, após ser apontado como suspeito de atirar contra o motorista Cirilo Marques de Carvalho durante uma discussão de trânsito. O episódio ocorreu no dia 24 de agosto na região da Avenida Paralela.
Segundo as informações que embasaram a investigação, o disparo atingiu o motorista durante o episódio. O caso passou a ser investigado pelas autoridades e resultou na prisão do PM. A defesa nega qualquer intenção de dificultar as investigações e sustenta que Rodrigo se apresentou voluntariamente às autoridades e está disposto a colaborar com a apuração.
Processo administrativo contra o PM
A Polícia Militar da Bahia (PM-BA), por meio da Corregedoria, abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Rodrigo. Segundo informações obtidas pelo Aratu On, o procedimento foi instaurado após o policial ser ouvido pela Corregedoria. Durante o depoimento, Rodrigo permaneceu em silêncio e não se pronunciou sobre o episódio. A apuração administrativa busca verificar se houve eventual infração disciplinar por parte do agente.
O caso também é investigado pela Polícia Civil. A defesa de Cirilo informou que já foram adotadas medidas para reunir provas sobre as circunstâncias do disparo e a extensão das lesões sofridas pelo motorista.
Além disso, a Polícia Civil abriu um inquérito contra o policial militar. Segundo informações obtidas pelo Aratu On junto a interlocutores da Justiça, a 10ª Delegacia Territorial de Pau da Lima instaurou, na tarde desta segunda-feira (31), um inquérito para investigar o policial por lesão corporal grave.
A investigação também busca esclarecer de quem é o veículo utilizado pelo policial no momento do episódio, já que ele não estaria em atuação pela Polícia Militar. De acordo com a apuração, o agente estaria realizando uma escolta de uma pessoa que ainda não foi identificada pelas autoridades.
A arma utilizada pelo policial militar no episódio foi entregue à Polícia Civil pela própria Polícia Militar da Bahia. O armamento pertence à 31ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), na região de Valéria, onde Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim está lotado.

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