Pichação com 'CV' indica saída de traficantes da Bahia para Sergipe
Pichação em alusão ao CV é vista em cidade vizinha a Aracaju; traficantes estariam saindo da Bahia para Sergipe
Por Da redação.
Fonte: Alô Juca
O avanço de facções criminosas em Sergipe tem acendido um alerta entre especialistas em segurança pública. Nesta segunda-feira (5), o Alô Juca recebeu uma imagem que mostra uma pichação atribuída a traficantes do Comando Vermelho (CV) em um muro da cidade de Nossa Senhora do Socorro, município vizinho à capital Aracaju.
Na pichação, é possível ler a inscrição “CV SE/Tropa do Fiel”, o que indica a presença e possível tentativa de consolidação da facção no estado. A marcação é vista como uma forma de demarcar território e intimidar rivais, prática comum entre grupos criminosos organizados.
Veja a imagem da pichação com 'CV':

Segundo especialistas em Segurança Pública, o crescimento do Comando Vermelho em Sergipe é consequência direta da expansão da facção no estado da Bahia. De acordo com as análises, integrantes do grupo estariam migrando de cidades baianas para território sergipano, buscando novas áreas de atuação para o tráfico de drogas e outras atividades criminosas.
A Bahia é apontada como um dos principais polos de atuação do CV no Nordeste, com presença consolidada em diversas cidades do interior e também na capital, Salvador. Essa expansão regional acaba refletindo em estados vizinhos, como Sergipe, que passam a sofrer com a entrada de novos grupos criminosos.
Além do Comando Vermelho, outras facções também atuam em Sergipe, como o Bonde do Maluco (BDM) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, conforme apontam especialistas, a atuação desses grupos é considerada menor quando comparada à do CV no estado.
As forças de segurança seguem monitorando a situação e reforçando ações de inteligência e policiamento para conter o avanço das facções e preservar a segurança da população.
Facções criminosas em Salvador: ascensão do crime organizado
Na Bahia, ao menos 14 facções criminosas disputam o controle do tráfico de drogas, da juventude e, principalmente, do território. A disputa pelo controle das comunidades e das rotas mais estratégicas de Salvador sempre foi de interesse das quadrilhas locais, mas, desde 2018, a capital entrou em um novo estágio de conflito: uma disputa de aliança com facções nacionais como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), organizações com ramificações em todo o país e até em países fronteiriços, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela.

Parte da aliança na capital
Entre as facções que mais disputam território em Salvador, as mais proeminentes são o Comando Vermelho (CV) e a quadrilha baiana Bonde do Maluco (BDM), que atualmente se destacam pela crescente influência no poder paralelo da Bahia.
Além delas, a capital abriga outras organizações, como Katiara, Comando da Paz (CP), Ordem e Progresso (OP) e Terceiro Comando Puro (TCP), sem contar facções com atividade reduzida, como a Tropa do A, fruto da transformação da Ordem e Progresso (OP), que marca a chegada do PCC na Bahia.
Apesar de uma infinidade de associações criminosas, elas têm algo em comum. O processo de ramificação entre elas. Hoje, o Comando da Paz, por exemplo, se incorporou ao CV, enquanto o BDM se aliou a carioca, TCP. Já a Katiara, que atuava em Valéria, apesar de atividade solo, também se alinha ao Comando Vermelho.
Facções criminosas e o poder de Estado
O professor Luciano Pontes, especialista em Direito Penal e Segurança Pública, destaca que essa expansão das facções nacionais ocorre num cenário marcado pela ausência do Estado em áreas periféricas:
“Salvador apresenta bairros periféricos grandes, em relevos acidentados, com população carente em extrema pobreza. O crime organizado adentra e acaba fazendo o papel do Estado, ordenando o território e impondo suas próprias leis, contrariando o Estado democrático de direito.”
O Aratu On montou o mapa da violência em Salvador com base nos dados do Instituto Fogo Cruzado, que revela a forte influência das facções nos bairros mais violentos.
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