MP e família tentaram impedir soltura de atirador baiano de hospital de custódia
Ministério Público e a família consideravam que o atirador baiano ainda representava risco à sociedade
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a própria família do ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, foram contra sua desinternação do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Salvador por entenderem que ele ainda representava risco para a sociedade.
Condenado pelo ataque a tiros em um cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, em novembro de 1999, Mateus voltou ao centro das discussões nos últimos dias após imagens mostrarem que ele frequenta o Shopping Barra, em Salvador. A repercussão nas redes sociais ocorreu porque o ex-estudante utilizou um espaço semelhante para cometer a chacina que matou três pessoas e deixou outras nove feridas.

MP apontou falta de laudo sobre periculosidade
Documentos do processo de execução penal revelam que, antes da liberação, nem mesmo os pais de Mateus pretendiam acolhê-lo em casa. As manifestações apresentadas à Justiça apontavam preocupação com o histórico de agressividade do filho e a incapacidade de supervisioná-lo, conforme informações do Globo.
Entre os principais argumentos apresentados pelo MP para impedir a desinternação estavam a inexistência de exame pericial que comprovasse a cessação da periculosidade de Mateus, a ausência de um estudo social que demonstrasse a capacidade dos pais, ambos idosos, de acompanhá-lo e a falta de um plano de prevenção de riscos para proteger o paciente, seus familiares e a sociedade.
Os promotores também defenderam que novas avaliações sobre o estado psiquiátrico do ex-estudante eram indispensáveis antes de qualquer decisão, especialmente para verificar sua capacidade de lidar com situações de frustração no cotidiano.
Histórico de violência contra a família
Um dos acordos firmados para a desinternação previa que Mateus viveria sob os cuidados dos pais, o médico oftalmologista Deolindo Vanderlei Meira, de 87 anos, e a enfermeira Alina da Costa Meira, de 84.
Entretanto, em manifestações anteriores no processo, o casal informou que não tinha condições de recebê-lo em casa devido ao histórico de violência. Conforme os autos, Mateus já havia agredido fisicamente a mãe em diferentes ocasiões, perseguido a irmã com uma faca dentro da residência e desferido um soco no pai, causando a fratura de três costelas.
Posteriormente, com o anúncio da desativação do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico da Bahia e sem outra unidade para onde o filho pudesse ser encaminhado, os pais mudaram de posição. Eles afirmaram que preferiam passar os últimos anos de vida ao lado de Mateus.
Apesar disso, por medida de precaução, o ex-estudante passou a morar sozinho em uma quitinete localizada a uma quadra do Shopping Barra.
Da condenação à medida de segurança

Mateus da Costa Meira foi condenado inicialmente a 120 anos de prisão por planejar e executar o ataque no cinema do Morumbi Shopping, em 1999. Em 2004, foi transferido da Penitenciária de Tremembé, em São Paulo, para a Bahia, onde vivem seus pais.
No ano seguinte, enquanto estava na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, tentou matar um companheiro de cela com golpes de tesoura na cabeça.
Após novo julgamento no Tribunal de Justiça da Bahia, ele foi considerado inimputável em razão de transtorno mental e recebeu absolvição imprópria. Em 2010, passou a cumprir medida de segurança no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. A desinternação ocorreu em 2024, com autorização da Justiça baiana.
Como condição para deixar a unidade, Mateus assumiu o compromisso de permanecer sob acompanhamento judicial e seguir rigorosamente o tratamento psiquiátrico, incluindo o uso contínuo de medicamentos.
Lista de possíveis alvos preocupava autoridades
Outro fator que pesou nas discussões sobre a desinternação foi o material apreendido durante as investigações. Quando ainda estava preso em São Paulo, Mateus mantinha uma lista manuscrita com nomes de pessoas que pretendia matar.
Entre os alvos estavam os sete jurados que participaram de seu julgamento no Fórum da Barra Funda, advogados que atuaram em sua defesa, jornalistas, médicos e psiquiatras responsáveis por laudos e pareceres considerados desfavoráveis por ele.
Shopping Barra se manifesta
Após a repercussão das imagens de Mateus no Shopping Barra, o centro de compras divulgou uma nota no último sábado (11). Segundo o empreendimento, a fotografia compartilhada nas redes sociais foi registrada em 2024.
"Identificamos isso pela peça publicitária que aparece ao fundo da foto. O Barra ressalta e reforça que sempre teve como prioridade permanente a segurança de seus clientes, lojistas, colaboradores e visitantes. Para isso, contamos com protocolos rigorosos de segurança, monitoramento por câmeras, equipe especializada e atuação integrada com os órgãos públicos competentes", informou o shopping.

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