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Justiça mantém prisão de suspeito de tráfico de drogas via Correios em Salvador

Justiça mantém prisão de suspeito de tráfico de drogas via Correios em Salvador. Defesa alegou violência psicológica durante a captura

Por Victor Hernandes.

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) manteve a prisão de Mário Henrique Silva Caetano, suspeito de integrar um grupo investigado por tráfico de drogas por meio de encomendas enviadas pelos Correios em Salvador. O homem foi preso nesta terça-feira (25), durante a Operação Rota das Flores.

Mário Henrique Silva Caetano teve prisão temporária mantida pela Justiça após ser preso na Operação Rota das Flores, em Salvador

O Aratu On teve acesso, na noite desta quarta-feira (26), à decisão da 1ª Vara das Garantias de Salvador que manteve a prisão temporária do investigado. A decisão ocorreu após audiência de custódia e considerou regular o cumprimento do mandado expedido pela Justiça de Goiás.

A defesa de Mário Henrique alegou que o investigado teria sofrido violência psicológica durante a prisão. Segundo os advogados, ele teria sido coagido a permitir o acesso ao celular apreendido, um iPhone 11 Pro Max. O custodiado afirmou que não autorizou a consulta ao aparelho.

Com base na alegação, a defesa pediu o relaxamento da prisão e também solicitou acesso integral aos autos da investigação, incluindo informações sobre a forma como o mandado foi cumprido.

Justiça não identifica indícios de abuso na prisão de suspeito

A juíza Martha Carneiro Terrin e Souza manteve a prisão temporária após verificar que o mandado estava registrado e válido no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP). Segundo a magistrada, a prisão foi realizada por policiais legalmente habilitados e respeitou as formalidades previstas. A decisão aponta ainda que, naquele momento, a alegação de violência psicológica e coação apresentada pela defesa não encontrava respaldo nas provas anexadas ao processo.

O laudo do exame de lesões corporais realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), conforme a decisão, não apontou lesões físicas recentes. A magistrada também destacou que os documentos referentes à diligência, como o Auto de Exibição e Apreensão e o Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação, não registraram suposta coação nem acesso não autorizado ao celular.

Como o mandado foi expedido pela 6ª Vara das Garantias da Comarca de Anápolis, em Goiás, a Justiça baiana entendeu que caberia ao juízo responsável pela audiência de custódia analisar apenas a regularidade formal do cumprimento da prisão.

Dessa forma, eventuais pedidos de revogação da prisão ou de acesso integral à investigação deverão ser apresentados pela defesa diretamente à Justiça de Goiás. Com a decisão, o cumprimento do mandado foi homologado e Mário Henrique permanece preso à disposição da Justiça de Anápolis.

Outra suspeita também foi alvo da operação

A Operação Rota das Flores também teve como alvo Yasmin Alcântara Silva. Até o momento, não há informações sobre eventual manutenção ou revogação da prisão dela. Segundo apuração do site, Yasmin já havia sido citada e denunciada anteriormente em outro caso relacionado ao tráfico de drogas na Bahia.

Ela foi alvo da Operação Naufragium, deflagrada em maio deste ano pela Polícia Civil. Conforme informações obtidas pelo site, Yasmin era conhecida pelo codinome “Dexter” nas investigações.

Na ocasião, a Justiça apontou que ela teria participação estável na organização criminosa, com funções relacionadas à intermediação de pedidos, organização de encomendas e apoio à logística de distribuição de entorpecentes.

Arma e R$ 57 mil são apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Rota das Flores, os policiais apreenderam uma arma de fogo, aparelhos celulares e R$ 57 mil em espécie. O material apreendido será submetido à análise e poderá auxiliar os investigadores na identificação da participação de cada suspeito e na apuração de como funcionava a estrutura utilizada para o envio e a distribuição das drogas.

Operação Naufragium

Outra operação ocorrida em Salvador, a Operação Naufragium resultou na prisão de 13 pessoas nesta sexta-feira (22), na Bahia. Deste total, 11 prisões ocorreram em Salvador. A ação que investiga uma quadrilha do "tráfico de luxo", também cumpriu 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Sergipe e Rio Grande do Sul. 

As investigações apontam que a organização criminosa atuava nas redes sociais e grupos de mensagens para vender drogas destinadas a consumidores de classe média e alta. 

De acordo com as investigações, os entorpecentes também eram comercializados para lideranças de facções criminosas, voltados ao consumo pessoal desses integrantes. A quadrilha movimentava cerca de R$ 500 mil por semana com o tráfico de drogas, segundo a investigação.

Entre os alvos da operação está uma mulher apontada como atual líder do grupo criminoso. Conforme a Polícia Civil, ela assumiu a função após a prisão do companheiro, identificado como antigo chefe da organização, capturado em dezembro de 2025 durante outra operação relacionada ao tráfico de drogas. A suspeita foi localizada e presa no bairro de Vila Canária, em Salvador.

Yasmin foi presa no bairro do Cabula. Segundo as investigações, o apartamento utilizado por ela e por outra pessoa funcionava como estrutura logística para armazenamento, preparo e distribuição de drogas sintéticas e maconha do tipo “Wolf”.

No imóvel, os policiais apreenderam grande quantidade de entorpecentes, embalagens personalizadas, drogas acondicionadas a vácuo, selos identificadores, adesivos com marcas, tabelas de preços, brindes de colecionador e caixas prontas para envio por transportadoras e agências dos Correios.

As apurações indicam ainda que o casal comercializava drogas para diferentes estados do país e mantinha uma rede de clientes de alto poder aquisitivo. Durante as buscas, também foram encontrados cadernos com nomes de compradores, detalhamento de pedidos, quantidades comercializadas e endereços de entrega.

Segundo a Polícia Civil, cinco dos investigados também foram autuados em flagrante por tráfico de drogas durante as diligências, após serem encontrados com entorpecentes e materiais utilizados na comercialização ilícita.

A Justiça autorizou o bloqueio de bens de até R$ 15 milhões ligados aos investigados. Durante a operação, foram apreendidos drogas, celulares, veículos e dispositivos eletrônicos, que passarão por perícia e poderão auxiliar no aprofundamento das investigações.

Operação Naufragium

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