Homem é preso por chacina de família em Dias d’Ávila quase 20 anos após crime

Quatro mulheres foram assassinadas na chacina de família em Dias d’Ávila em 2007; suspeito foi localizado e detido nesta segunda-feira (27)

Por Ananda Costa.

Um homem de 65 anos, identificado como Pedro Augusto Bastos de Souza, foi preso na tarde desta segunda-feira (27), suspeito de ser o autor da chacina de uma família ocorrida em 2007, no município de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador. O caso resultou na morte de quatro mulheres da mesma família.

Chacina de família em Dias d’Ávila. Foto: Redes sociais

De acordo com a Polícia Militar da Bahia, equipes localizaram o acusado após informações sobre seu paradeiro. Durante a abordagem, foi constatada a existência de um mandado de prisão em aberto por homicídio qualificado. A ordem judicial foi cumprida no bairro Retiro, no município de Pojuca.

 Pedro Augusto  é investigado pelas mortes da esposa, Maria da Conceição da Cruz Rangel, de 34 anos; da sogra, Maria José da Cruz Rangel, de 60; da avó da companheira, Maria Celeste da Cruz, de 92; e da filha do casal, Ana Bárbara, de apenas 11 meses.

À época do crime, o caso ganhou repercussão após uma criança de 4 anos, identificada como Iasmin Nascimento Cruz, sobrinha do suspeito, ser encontrada sozinha na rua e gravemente ferida. Ela também teria sido atacada, mas sobreviveu.

Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma discussão entre o suspeito e a esposa. As vítimas, que pertenciam a quatro gerações da mesma família, foram mortas, tiveram os corpos carbonizados e descartados em lixões.

Os corpos de duas das vítimas,  a sogra e a avó da companheira, foram localizados em um lixão no município de Candeias e reconhecidos por um familiar que vivia em São Paulo.

Ainda conforme apurado, o suspeito chegou a registrar um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da avó e da filha, alegando que ambas teriam viajado para Feira de Santana. A versão levantou suspeitas e deu início às investigações.

Após a prisão, o homem foi encaminhado à Polícia Civil, onde a ocorrência foi formalizada.

Outros casos

Chacina do Cabula

Foto: arquivo/Aratu On

Muitos números envolvem a “chacina do Cabula”, em Salvador. No dia 6 de fevereiro de 2015, nove policiais militares da Bahia atiraram 143 vezes contra 12 jovens negros, com idades entre 15 e 28 anos, na Vila Moisés. Do total, 88 tiros os atingiram. E, nesta quinta-feira (6), completa-se uma década do episódio que “envergonha a Bahia”, como disse o promotor Davi Gallo à época.

Dez anos, 3.652 dias. Nenhum julgamento.

Em entrevista coletiva depois do ocorrido, o então governador Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil, comparou a ação da polícia a um “artilheiro em frente ao gol”:

“É como um artilheiro em frente ao gol que tenta decidir, em alguns segundos, como é que ele vai botar a bola dentro do gol, pra fazer o gol. Depois que a jogada termina, se foi um golaço, todos os torcedores da arquibancada irão bater palmas e a cena vai ser repetida várias vezes na televisão. Se o gol for perdido, o artilheiro vai ser condenado, porque se tivesse chutado daquele jeito ou jogado daquele outro, a bola teria entrado", disse.

À época, a Polícia Militar (PM) informou que os 12 mortos eram suspeitos de integrar uma quadrilha de assalto a banco. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) chegou a divulgar áudios que indicariam ligação das vítimas com traficantes da região, reforçando a versão da legítima defesa apresentada no inquérito policial. O titular da pasta naquele período, Maurício Barbosa, disse que preferia “acreditar na versão dos meus policiais até que algum outro fato apareça”. 

Mas a investigação do Ministério Público estadual (MP-BA) levantou que as mortes poderiam se tratar de vingança, pois dez dias antes, durante operação no bairro, um tenente teria sido atingido com um tiro no pé. A denúncia apresentada pelo órgão apontava indícios de execução sumária e contestava a versão oficial da Polícia Civil, que classificou as mortes como resultado de um confronto. Segundo o promotor Davi Gallo, que participou do caso, "esse caso envergonha a Bahia, com exceção do Ministério Público".  

Para o historiador Dudu Ribeiro, “completar dez anos da chacina do Cabula sem responsabilização dos envolvidos, tendo passado por uma absolvição sumária num primeiro momento, demonstra que o tipo de segurança pública que nós temos hoje tem comportado a letalidade como uma possibilidade de eficácia e eficiência”. Isso, ele reforça, é uma ideia que precisa ser combatida. 

LEIA MAIS: Mortos em chacinas policiais crescem 235% no primeiro semestre de 2025

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