Cão Orelha: MP descarta agressão de adolescentes como causa da morte
Ministério Público de Santa Catarina também solicitou o arquivamento do caso do Cão Orelha
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu, nesta terça-feira (12), que o cão Orelha morreu em decorrência de uma condição de saúde grave e preexistente. Com a decisão, o órgão descartou a hipótese de que adolescentes tenham provocado a morte do animal por meio de agressões.

MP descarta agressão de adolescentes como causa da morte
Segundo o órgão, os investigados e o cachorro “não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão”. Diante das conclusões, o órgão solicitou à Justiça o arquivamento do caso. De acordo com as promotorias responsáveis pela análise, o principal fator para o pedido foi a reconstituição da cronologia dos fatos.
Embora a Polícia Civil inicialmente sustentasse que um dos jovens e o cão "Orelha" permaneceram juntos na areia por cerca de 40 minutos, uma nova análise do material identificou inconsistências temporais que, segundo o MPSC, “modificaram substancialmente essa narrativa”.
O órgão afirmou ainda que não existe qualquer registro que comprove a presença do cão Orelha na faixa de areia no momento em que a agressão teria ocorrido. Testemunhas ouvidas durante a investigação também corroboraram essa versão, segundo a promotoria.
Para o Ministério Público, a disseminação de boatos e conteúdos nas redes sociais influenciou diretamente a repercussão do caso. Entre as informações falsas citadas está a existência de um suposto vídeo que mostraria as agressões ao animal, mas que, de acordo com o órgão, nunca existiu.
O que aconteceu com o cão Orelha?
No início de janeiro, após desaparecer por dois dias, o cão comunitário Orelha reapareceu gravemente ferido, no dia. Ele foi resgatado e levado ao atendimento veterinário, mas, diante da gravidade das lesões e do sofrimento, precisou ser sacrificado, no dia (5) de janeiro. Exames e avaliações descartaram atropelamento e apontaram que os ferimentos foram causados por agressões.
Exames periciais confirmaram que o cão foi atingido na cabeça por um objeto contundente, ou seja, sem ponta ou lâmina. O instrumento utilizado na agressão não foi localizado. Segundo a investigação, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado oficialmente à Polícia Civil em 16 de janeiro.
Ausência de registros do ataque
A ausência de imagens das agressões segue como um desafio para as autoridades, que já analisaram mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança, mas não encontraram registros do ato de violência. A única evidência obtida é uma foto compartilhada em um aplicativo de mensagens que, embora não flagre a agressão em si, vincula os adolescentes à cena do crime.
No dia 26 de janeiro, a Polícia Civil fez buscas em endereços de investigados envolvidos na agressão do cão Orelha, em Florianópolis. Em uma das casas, foi encontrada uma porção de droga (não identificada). Além disso, nas residências foram apreendidos celulares e telefones. Nenhum dos adolescentes chegou a ser apreendido.

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou por coação de testemunha três familiares de adolescentes investigados pela tortura e morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, área nobre de Florianópolis. Entre os indiciados estão pais e um tio de alguns dos jovens envolvidos no caso.
Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava e era cuidado de forma coletiva pela comunidade. Moradores se revezavam na alimentação, limpeza das casinhas improvisadas, troca de cobertores e acompanhamento do dia a dia do animal, que se tornou parte da rotina do bairro.
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