‘Café com teu pai’: Breno Faria é denunciado ao MPF por misoginia

Breno Faria, do “Café com teu pai”, é denunciado por atuar como influenciador sendo servidor público e por misoginia; entenda o caso

Por Laraelen Oliveira.

O policial rodoviário federal e influenciador digital Breno Vieira Faria, conhecido pelo perfil “Café com teu pai”, tornou-se alvo de uma representação encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF). O documento solicita a abertura de uma investigação sobre sua atuação nas redes sociais, possíveis violações ao regime funcional da corporação e a publicação de conteúdos considerados misóginos.

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Breno Faria é denunciado ao MPF por misoginia devido a conteúdo postado em suas redes sociais 

A representação foi protocolada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP), com apoio das advogadas Natália Szermeta Boulos e Jéssica da Mata. O pedido tem como base informações divulgadas em reportagem do portal Núcleo, que aponta indícios de descumprimento de normas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por parte do servidor. Entre os pontos levantados estão possíveis irregularidades administrativas, civis e penais relacionadas à sua atividade digital, incluindo monetização de conteúdo, participação em empresas e uso da imagem institucional da PRF.

A Polícia Rodoviária Federal possui um código disciplinar rígido que regula a conduta de seus agentes também fora do serviço, especialmente quando há exposição pública que possa afetar a imagem institucional/Foto: Divulgação/PRF

De acordo com o documento, o policial possui grande alcance nas redes sociais, com milhões de seguidores e produção frequente de vídeos sobre comportamento e relacionamentos. O crescimento de sua audiência teria se intensificado a partir de 2025, com a criação do canal “Café com teu pai”, apresentado como uma sátira ao livro e podcast devocional “Café com Deus Pai”.

As autoras da representação afirmam que parte significativa do conteúdo publicado apresenta estereótipos e desqualificação de mulheres, podendo contribuir para a disseminação de discursos misóginos em ambientes digitais de grande alcance.

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Entre os exemplos citados está um vídeo em que o influenciador afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam “vagabundas”, enquanto homens na mesma situação seriam valorizados. Na mesma gravação, ele utiliza a analogia de que “uma chave que abre todas as fechaduras é uma chave mestra”, enquanto “uma fechadura que abre por qualquer chave não presta”.

O Ministério Público Federal é responsável por investigar possíveis irregularidades envolvendo servidores federais, podendo instaurar inquéritos civis ou criminais dependendo da gravidade dos fatos/Foto: Redes Sociais 

O documento também menciona outras declarações atribuídas a ele, como a de que “mulher rodada não perde fama”, além de comentários sobre mulheres solteiras, bem-sucedidas e acima dos 30 anos, classificadas como “problemáticas”. Em outros conteúdos, o influenciador sugere que mulheres devem adotar comportamentos mais “doces” nos relacionamentos, evitando confrontos diretos e utilizando estratégias comparadas ao treinamento de animais.

Para as autoras, esse conjunto de publicações reforça desigualdades de gênero e contribui para a naturalização de visões discriminatórias.

Denúncia inclui acumulação ilícita de atividades enquanto servidor público

Outro ponto abordado na representação diz respeito à atuação comercial do influenciador. Segundo o documento, Breno Faria comercializa cursos e produtos digitais, especialmente voltados ao público feminino, com promessas relacionadas a reconhecimento em relacionamentos, apesar de não possuir formação técnica na área.

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Além disso, são apontados indícios de que ele exerce atividade empresarial no setor de marketing digital. Entre as empresas citadas estão a “Gonçalves & Souza & Faria Marketing Digital Ltda”, conhecida como B2 Company, e a “Vieira & Lenert Marketing Digital Ltda”, vinculada à marca “Café com Teu Pai”. O documento afirma que há registros de participação direta do policial em ações judiciais envolvendo essas empresas, além de declarações públicas em que ele se apresenta como empresário e criador de conteúdo.

A misoginia nas redes sociais tem sido tema recorrente de discussão no Brasil, podendo, em alguns casos, ser enquadrada como discurso de ódio ou gerar responsabilização civil por danos morais coletivos/Foto: Redes Sociais 

A Lei nº 8.112/1990 estabelece que servidores públicos federais não podem exercer funções de gerência ou administração em empresas privadas, salvo exceções específicas. Segundo a representação, os indícios levantados podem indicar possível violação desse regime jurídico.

Também é questionado o cumprimento do regime de dedicação exclusiva exigido para integrantes da PRF. O documento menciona declarações atribuídas ao influenciador nas quais ele afirma trabalhar apenas alguns dias por semana na corporação, o que poderia ser incompatível com as exigências do cargo.

Outro aspecto levantado é o uso das redes sociais com referência à vinculação institucional à PRF. De acordo com a representação, normas internas da corporação proíbem a monetização de conteúdo e a divulgação de material discriminatório por servidores da ativa. As autoras argumentam que, ao mencionar sua ligação com a PRF em suas publicações, o influenciador pode estar associando a imagem da instituição a posicionamentos considerados problemáticos. A Instrução Normativa nº 121/2023 é citada como base para eventual apuração disciplinar.

O crescimento de perfis que abordam relacionamentos com linguagem polêmica tem sido impulsionado por algoritmos de redes sociais, que tendem a amplificar conteúdos com alto engajamento/Foto: Redes Sociais 

No pedido encaminhado ao MPF, a deputada solicita a abertura de investigação, a requisição de informações à PRF sobre a situação funcional do servidor e a análise de possíveis responsabilidades administrativas, civis e penais. O documento também pede a adoção de medidas cabíveis caso irregularidades sejam confirmadas, incluindo eventual responsabilização disciplinar e até a possibilidade de exoneração do cargo público.

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O Big Brother Brasil está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeitas de condutas que podem ser classificadas como tortura ou tratamento desumano e degradante. O programa, que está atualmente em sua 26ª edição, teve a apuração anunciada pelo próprio órgão.

Ex-BBB Jonas Sulzbach é investigado por denúncia de homofobia

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) recebeu uma denúncia de homofobia envolvendo Jonas Sulzbach, ex-participante do Big Brother Brasil 26. O caso foi encaminhado para a 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial, responsável pelas regiões de Madureira e Jacarepaguá. Agora, o processo está sob análise de um promotor, que irá decidir se haverá o oferecimento de denúncia formal à Justiça.

Big Brother Brasil é um dos programas de maior audiência do país, o que amplia o impacto social de falas exibidas em rede nacional/Foto: Gshow

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