Baianas narram tensão em operação que isolou turistas no Rio de Janeiro

Segundo o depoimento, por volta das 7h da manhã um grupo que realizava o passeio escutou uma grande quantidade de tiros

Por Victor Souza.

Duas baianas, que visitavam o Rio de Janeiro (RJ), se assustaram durante passeio no Morro Dois Irmãos, na manhã desta segunda-feira (20). O momento de tensão aconteceu quando elas realizavam uma trilha no local e se depararam com uma operação policial que ocorria no Vidigal. Elas contam que escutaram barulhos de tiros durante a ação.

Foto: Redes Sociais

A ação deixou cerca de 200 turistas “ilhados”, sem conseguirem sair do morro por conta da troca de tiros. Em relato ao Aratu ON, uma das baianas, de Salvador, revelou que muitas pessoas estavam no morro durante a ação policial. 

Segundo o depoimento, por volta das 7h da manhã, um grupo que realizava o passeio escutou uma grande quantidade de tiros. 

“Subi com o grupo para fazer a trilha no morro dos dois irmãos, mas o pessoal foi chegando aos poucos. Por volta das 5h da manhã já tinha muita gente ali em cima. Estava tendo também uma festa na Penha durante isso. Já tinha clareado, o sol já tinha nascido, por volta das 7h e escutamos alguns barulhos de tiros”, disse à reportagem, em formato de anonimato. 

A soteropolitana contou ainda ao site que todos que estavam no morro precisaram se abaixar para se proteger do tiroteio. 

“A gente viu alguns barcos vindo na direção pelo mar e imaginamos que seria a polícia. Depois de um tempo começaram a passar helicópteros. Alguém instruiu a gente para abaixar, mesmo tendo uma parte das pessoas já sentada no chão”, afirmou. 

De acordo com a baiana, o grupo precisou ficar alguns minutos até que a troca de tiros fosse controlada. 

“Ficamos cerca de 20 minutos abaixados e quietos. Ninguém saiu do morro até as coisas se acalmarem. Mas acho que não chegou nem a ficarmos 1 hora ali parados no morro”, relatou. 

“Depois disso, algumas pessoas começaram a fazer atividade de rapel. Quem não estava esperando a liberação para descer do morro. Alguém entrou em contato informando que já podia descer aos poucos. O meu grupo foi um dos últimos. Quando a gente desceu, já tinha alguns policiais armados com fuzil, mas sem falar nada e passamos por ele”, completou. 

Ela explicou ainda que os turistas avistaram homens armados na localidade na ocasião. 

“Uma pessoa que parecia ser líder comunitário, que estava com uma camisa de turismo, informou que estava tudo tranquilo, que não tinha nada demais. Ele disse que era somente uma operação acontecendo”, observou. 

“Ficamos um tempo esperando a poeira baixar, mas aparentemente estava tudo tranquilo”, revelou ao portal.  

Outra baiana, que também estava no morro, mas optou por falar de forma anônima, disse que desceu da trilha por volta das 9h30. Segundo ela, um processo de organização foi efetuado para que todos conseguissem sair do espaço de forma segura. 

“Ficamos um tempo sem poder descer, ouvindo tiros e um helicóptero que transitava no momento. Foi tudo muito organizado. Quando saímos da trilha tinha uma pessoa de uma organização explicando que tudo estava bem”, explanou à reportagem. 

Principal alvo

O chefe de facção ligada ao Comando Vermelho na Bahia, identificado como Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, conseguiu fugir durante uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, realizada na manhã desta segunda-feira (20), na comunidade do Vidigal, na Zona Sul da capital fluminense. 

Dada era o principal alvo da Operação Duas Rosas II, por ser apontado pelas investigações como líder do tráfico de drogas no extremo sul da Bahia. Ele é associado ao Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligado ao Comando Vermelho, grupo criminoso com atuação em regiões como Caraíva e Trancoso.

De acordo com as investigações, o suspeito fugiu do Conjunto Penal de Eunápolis, em 2024, e passou a se esconder na comunidade da Rocinha, em São Conrado, também na Zona Sul do Rio.

Monitorado pelo Ministério Público da Bahia, Dadá foi localizado durante o feriado de Tiradentes, quando alugou uma casa no Vidigal, comunidade vizinha à Rocinha, onde realizava uma festa com familiares e amigos.

Com base nas informações repassadas às autoridades fluminenses, equipes da Polícia Civil cercaram o imóvel para tentar cumprir o mandado de prisão. No entanto, o suspeito conseguiu escapar por uma passagem secreta, deixando para trás a esposa e os filhos.

Outra baiana no morro 

Quem também presenciou o momento foi a a baiana Iriane Veloso, que trabalha como guia turística na cidade e registrou a movimentação do topo do Morro Dois Irmãos. Em um dos vídeos compartilhados por ela, é possível ouvir diversos disparos de arma de fogo. A ação policial tinha como objetivo prender lideranças do Comando Vermelho que atuam no sul da Bahia.

Segundo Iriane, os turistas se preparavam para descer a trilha quando os tiros começaram. Nas imagens, também é possível ver outros guias orientando o grupo a interromper a descida e aguardar em local seguro.

“Fomos pegas de surpresa e recebemos a orientação para voltar e esperar. Ficamos cerca de 1h30 aguardando para descer e, no final, deu tudo certo”, apontou Veloso.

 

Operacao Rio De Janeiro Contra Dada

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