O que é erisipela bolhosa, infecção que matou o padre desaparecido em Salvador
Entenda o que é erisipela bolhosa, infecção que matou o padre Elmo Andrade, desaparecido em Salvador desde o dia 15 de abril
Por Lucas Pereira.
Confirmada, na noite desta quinta-feira (16), a morte do padre Elmo Andrade de Souza, de 62 anos, que desapareceu na manhã de quarta-feira (15). A Arquidiocese de Salvador informou a causa do óbito: uma infecção generalizada causada por um problema na pele. Entenda o que é erisipela bolhosa, infecção que matou o padre.

O que é erisipela bolhosa
Dermatologistas ouvidas pelo Aratu On explicaram que erisipela trata-se de uma infecção bacteriana causada, frequentemente, pela bactéria Streptococcus. O quadro apresenta variações, de acordo com a Dra. Lorena Marçal, dermatologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Bahia:
“Os tipos variam conforme a gravidade e apresentação: eritematosa (comum, aspecto vermelho); bolhosa (com bolhas); e necrotizante (grave, com morte de tecidos)".
Diferente do quadro mais comum, a erisipela bolhosa costuma apresentar "bolhas cheias de liquido em áreas da pele comprometidas" e áreas de vermelhidão e inchaço.
A região mais comum de incidência da infecção são as pernas, de acordo com a médica dermatologista Andréia Ramos, que também atua como preceptora da residência médica de dermatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos.
Segundo ela, idosos, como o padre Elmo, que tinha 62 anos, são o principal foco da infecção.
"É uma doença que acomete, principalmente, idosos, pessoas que tem problemas de circulação; mas pode acontecer em qualquer pessoa, geralmente quando se tem algum ferimento. A bactéria aproveita para inocular nesse local, como se fosse criada uma porta de entrada", aponta.
A Dra. Lorena complementou que, além dos ferimentos, a bactéria pode entrar no corpo através de "micoses (frieiras), picadas de inseto ou rachaduras na pele".
Sintomas da erisipela bolhosa
Além dos sintomas físicos aparentes já citados, as médicas listam ainda outras características da erisipela.
"Não são todos os casos que cursam com bolhas. Normalmente pode vir associada à febre, mal-estar. Na maioria das vezes, é um quadro localizado", explicou Dra. Andréia.
De acordo com as profissionais de saúde, se não tratada corretamente, a ferida infectada pode aumentar de tamanho e agravar o quadro clínico. O pior deles é o de sepse (infecção generalizada); o mesmo que ocorreu com o padre Elmo.
Ainda que seja uma infecção frequente, as especialistas apontam que um agravamento, como o que ocorreu com o religioso, não é tão comum de ocorrer/evoluir, caso seja tratado.

Tratamento
"O tratamento é feito com antibiótico e se é feito com o antibiótico correto, o paciente costuma melhorar. Para ele pegar novamente, ele tem que entrar em contato novamente com a bactéria. Algumas pessoas têm uma chance maior de acontecer; são aquelas que tem problemas de circulação, já tem uma edema crônico na perna, onde a pele fica mais fragilizada", orientou a Dra. Andréia.
Uma vez tratado corretamente, segundo a Dra. Lorena, o quadro só retorna "caso hajam novas portas de entrada (frieiras, ferimentos) ou complicações com edema, linfedema ou dermatite".
Padre desaparecido
A Arquidiocese de São Salvador da Bahia informou que tomou conhecimento, nesta quinta-feira (16), do registro de boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento do Padre Elmo Andrade de Souza.
Conforme as informações comunicadas à autoridade policial, o sacerdote foi visto pela última vez no dia 15 de abril de 2026, por volta das 12h30, na região de São Cristóvão, em Salvador.
Desaparecimento
Autoridades orientam que o desaparecimento seja comunicado imediatamente, sem necessidade de aguardar 24 horas. A primeira recomendação é procurar a pessoa em locais onde ela costuma frequentar e entrar em contato com amigos, parentes ou colegas de trabalho e estudo. Caso a ausência seja incomum, o desaparecimento deve ser comunicado às autoridades o quanto antes.
O registro do Boletim de Ocorrência (B.O.) pode ser feito em qualquer delegacia da Polícia Civil da Bahia ou, em alguns casos, pela internet. No momento do registro, é importante fornecer o máximo de informações possível.

Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).