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O peso da abstenção nas eleições: disputa acirrada coloca o eleitor ausente no centro

Cientista político explica que o peso da abstenção nas eleições entra no cálculo das campanhas que buscam ampliar mobilização; entenda histórico de ausência dos eleitores

Por João Tramm.

O peso da abstenção nas eleições ganha relevância em um cenário de disputa acirrada pela Presidência da República. Para o cientista político Cláudio André, as campanhas precisam nesta reta final identificar onde estão os eleitores ausentes e intensificar a mobilização nos municípios, além de buscar conquistar votos de eleitores que apoiavam outros candidatos.

“Quando a gente analisa a tendência de abstenção a partir do que foi registrado nas últimas eleições, a gente percebe que não tem um grande sobressalto. A gente não tem um crescimento significativo, relevante das abstenções”, afirmou em entrevista ao Aratu On.

Apesar de não ter tido um grande salto diante do último pleito, o alto patamar da abstenção chama atenção, inclusive do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que busca nova medidas para conter esta crescente. Diante do quadro de acirramento político e medo da vitória do oponente, especialistas também indicam que no segundo turno os eleitores ausentes podem representar um menor número.

O peso da abstenção nas eleições e a estratégia das campanhas; Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O peso da abstenção nas eleições e a estratégia das campanhas

Na avaliação de Cláudio André, os índices nacionais de abstenção não indicam, isoladamente, mudanças expressivas capazes de alterar o cenário da disputa presidencial. Por isso, é necessário analisar os dados por estado e município para identificar diferenças no comportamento do eleitorado e orientar as estratégias eleitorais.

Para o cientista político, a disputa também depende da capacidade dos candidatos de conquistar novos apoios e modificar a distribuição de votos nos municípios. Nesse contexto, a mobilização eleitoral pode ganhar importância em uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os concorrentes.

Em 2026, a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado brasileiro, o equivalente a aproximadamente 33,4 milhões de pessoas que não compareceram às urnas. O índice é o maior da série histórica apresentada desde 2010, embora o ritmo de crescimento tenha diminuído em relação aos períodos anteriores.

Bahia pode ampliar votação de Lula

Ao analisar o cenário baiano, Cláudio André destacou o papel das lideranças políticas na articulação eleitoral em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o governador Jerônimo Rodrigues e os senadores Jaques Wagner e Rui Costa podem contribuir para a mobilização das campanhas no estado.

O especialista avalia que a Bahia apresenta uma tendência eleitoral historicamente mais favorável ao PT e a Lula. Por isso, a atuação das lideranças locais e a capacidade de conquistar novos apoios nos municípios podem ser importantes para ampliar a votação do presidente no segundo turno.

“As campanhas precisam olhar com mais atenção a capacidade nos municípios, independentemente do seu tamanho, de virar voto, de tirar de um lado para o outro e tirar voto”, afirmou.

Cláudio André também apontou a participação de representantes baianos na coordenação nacional da campanha petista como um elemento relevante para a articulação política.

Último debate pode influenciar eleitores indecisos

Ao comentar pesquisas eleitorais, o especialista mencionou indicadores como rejeição, aprovação e intenção de voto espontânea para apontar movimentos no cenário político. Ele também destacou o debate entre os candidatos na TV Globo, previsto para sexta-feira, como uma oportunidade para que os eleitores indecisos e desengajados comparem as propostas e as posições dos concorrentes.

Para Cláudio André, o confronto direto pode ajudar parte do eleitorado a avaliar as alternativas para os próximos quatro anos.

Nesse contexto, a abstenção é um dos elementos considerados pelas campanhas, mas não determina sozinha o resultado eleitoral. A mobilização dos eleitores, a conquista de novos apoios e as mudanças de preferência nos municípios também podem influenciar o desfecho da disputa.

Série histórica

A série histórica das eleições presidenciais mostra um aumento gradual da proporção de eleitores que deixam de votar. Em 2010, 24,6 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, o equivalente a 18,12% do eleitorado apto.

Quatro anos depois, o índice chegou a 19,39%, com 27,6 milhões de ausentes. Em 2018, a taxa subiu para 20,33%, enquanto, em 2022, alcançou 20,93%, com 32,7 milhões de eleitores que não votaram.

Em 2026, o percentual chegou a 21,08%, correspondente a aproximadamente 33,4 milhões de pessoas.

Apesar da sequência de altas, o ritmo de crescimento diminuiu. Entre 2010 e 2014, a abstenção aumentou 1,27 ponto percentual. De 2014 para 2018, a alta foi de 0,94 ponto. Entre 2018 e 2022, o crescimento ficou em 0,60 ponto percentual. Já entre 2022 e 2026, a variação foi de apenas 0,15 ponto.

Bahia apresenta abstenção abaixo da média nacional

Na Bahia, a abstenção calculada a partir dos dados apresentados para 2026 é de aproximadamente 19,97%, abaixo da média nacional de 21,08%.

Ao analisar o cenário baiano, Cláudio André destacou a importância da atuação das lideranças políticas e das coordenações de campanha na busca por votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O especialista avalia que a Bahia tem uma inclinação eleitoral historicamente mais favorável ao PT e a Lula. Nesse contexto, a atuação das lideranças estaduais pode contribuir para ampliar a votação do presidente no segundo turno.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de superar um cenário desfavorável nas projeções estatísticas para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Cláudio Andre, cientista político

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