Eleições deste ano desafiam tendência histórica e especialista aposta em reviravolta na abstenção
Especialista aponta que a polarização eleitoral pode reduzir a abstenção no segundo turno e destaca a participação de mulheres jovens.
Por João Tramm.
A abstenção no segundo turno pode ser menor do que a registrada no último dia 4 de outubro, apesar da tendência histórica de aumento das ausências na segunda etapa da votação. A avaliação foi apresentada por Eduardo Grizenti, mestre em Ciência Política, durante entrevista ao programa Linha de Frente, da Rádio Antena 1.
A abstenção nas eleições deste ano chegou a 21,08% no primeiro turno, o equivalente a 33,4 milhões de eleitores, segundo dados do sistema de totalização de votos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O índice é o maior registrado pela Justiça Eleitoral desde 1998. Presidente do TSE, Kassio Nunes Marques afirmou neste domingo (4) que pretende atuar para reduzir o número de eleitores que deixam de votar no segundo turno.

Como a abstenção no segundo turno pode afetar Lula e Flavio?
Segundo ele, o cenário de polarização política pode repetir o comportamento observado em 2022, quando a mobilização eleitoral contribuiu para conter a tendência histórica. O especialista também ressaltou que a ausência de eleitores não deve ser considerada, isoladamente, a explicação para o resultado de Lula no primeiro turno.
“O movimento histórico é de aumento da abstenção no segundo turno. A exceção foi eleição passada, 2022. Com vista a essa eleição passada, que também foi uma eleição polarizada, radicalizada, eu acredito que a gente vai ter um fenômeno parecido nessa agora”, afirmou.
O especialista destacou que a abstenção entre eleitores de 16 a 29 anos, tanto homens quanto mulheres, merece atenção das campanhas. Segundo a análise apresentada na entrevista, homens jovens tenderiam a votar mais em candidatos do grupo político dos Bolsonaro, enquanto mulheres jovens demonstrariam maior apoio a Lula.
Por isso, na avaliação dele, uma estratégia para ampliar a participação eleitoral não deveria considerar apenas a abstenção de maneira geral, mas observar especialmente o comportamento das mulheres jovens.
“Então, se a campanha fosse tentar focar nessa questão da abstenção, não seria uma abstenção de modo geral. Mas a abstenção das mulheres jovens”, afirmou.
Vira voto:
O analista observou que parte dos eleitores que votaram em Lula em 2022 teria escolhido Flávio Bolsonaro na eleição atual. Para ele, esse movimento chama a atenção porque Lula ocupa a Presidência da República, enquanto, na disputa anterior, era o candidato que buscava retornar ao cargo.
Ao mesmo tempo, a campanha petista pode tentar recuperar eleitores que já votaram no presidente em eleições anteriores, mas não repetiram a escolha no primeiro turno.
O analista também citou a movimentação nas ruas e nas redes sociais como fatores que podem estimular eleitores que não compareceram no primeiro turno a participar da votação seguinte. Segundo ele, esse chamado pode reforçar a percepção de que o voto será decisivo para o resultado.
Segundo Turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foram os candidatos mais votados no primeiro turno das Eleições 2026 e vão disputar o segundo turno pela Presidência da República.
Lula recebeu 44,61% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 47,50%. A votação foi realizada neste domingo (4) e definiu os dois candidatos que seguem na disputa pelo comando do país. Até o momento, 99,6% das urnas foram apuradas.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. A votação será uma nova eleição, e os votos obtidos pelos candidatos no primeiro turno não serão somados à segunda etapa. Será eleito presidente aquele que receber a maior quantidade de votos válidos no segundo turno.
A disputa coloca novamente frente a frente os dois principais nomes da eleição presidencial. Lula busca um novo mandato no Palácio do Planalto, enquanto Flávio Bolsonaro disputa pela primeira vez a Presidência da República.
Veja entrevista completa:
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