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Lula pode virar no segundo turno? Estudo matemático calcula chances de vitória sobre Flávio

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%

Por Bruna Castelo Branco.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de superar um cenário desfavorável nas projeções estatísticas para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Modelos desenvolvidos por pesquisadores vinculados ao Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getulio Vargas (FGV Cepesp) estimam que Lula tem entre 19% e 29,5% de probabilidade de vitória, a depender do método utilizado.

A análise foi publicada por Guilherme Russo, Jairo Pimentel e George Avelino. Os pesquisadores utilizaram resultados de disputas eleitorais anteriores e a proximidade ideológica entre os candidatos para estimar as chances de cada concorrente no segundo turno.

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Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. | Foto: Renato Pizzutto/Band

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual. Juntos, os candidatos concentraram mais de 92% dos votos válidos, reduzindo o volume de votos de outros concorrentes que podem ser transferidos na segunda etapa da disputa.

O que explica as chances de Lula?

Um dos modelos utilizados pelos pesquisadores é o RPA (Russo, Pimentel e Avelino), que considera a votação do candidato que terminou o primeiro turno na liderança e a diferença em relação ao segundo colocado.

Aplicado ao cenário de 2026, o modelo estrutural projeta 51,1% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 48,9% para Lula. Nesse cálculo, a probabilidade de o candidato que terminou a primeira etapa na liderança confirmar a vitória no segundo turno é de 70,5%.

A análise considera também a quantidade de votos disponíveis entre os eleitores de candidatos eliminados no primeiro turno. Segundo os pesquisadores, caso os eleitores de Lula e Flávio mantenham suas escolhas, o petista precisaria conquistar cerca de 62% dos votos dos candidatos que ficaram de fora do segundo turno para ultrapassar o adversário.

Aplicado ao cenário de 2026, o modelo estrutural projeta 51,1% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 48,9% para Lula. | Foto: Renato Pizzutto/Band

Modelo que considera a ideologia amplia vantagem de Flávio

Além do modelo estrutural, os pesquisadores desenvolveram uma versão híbrida, que incorpora um índice de proximidade ideológica entre os candidatos eliminados e os dois finalistas. O cálculo considera a distância partidária entre as candidaturas e o tamanho da votação recebida por cada uma delas.

De acordo com o estudo, quatro quintos do estoque ideológico de votos dos candidatos eliminados estão mais próximos do campo do PL do que do PT. Essa composição, segundo os autores, não determina como cada eleitor votará, mas indica que os votos disponíveis não estão distribuídos de maneira neutra entre os dois finalistas.

Com a inclusão desse fator, a probabilidade estimada de Flávio Bolsonaro confirmar a liderança sobe para aproximadamente 81%. O modelo híbrido projeta 52,2% dos votos válidos para Flávio e 47,8% para Lula, atribuindo ao presidente 19% de chance de vitória.

As duas estimativas, portanto, apontam para uma probabilidade de virada de Lula entre 19% e 29,5%, conforme o método aplicado.

O que pode mudar esse cenário?

Os pesquisadores ressaltam que as projeções estatísticas não determinam o resultado das urnas. Os modelos identificam padrões observados em disputas anteriores, mas não conseguem antecipar todos os acontecimentos de uma campanha eleitoral.

Debates, erros dos candidatos, fatos novos e mudanças na avaliação dos eleitores podem alterar a distribuição dos votos entre o primeiro e o segundo turno.

Os pesquisadores ressaltam que as projeções estatísticas não determinam o resultado das urnas. | Foto: Renato Pizzutto/Band

A análise retoma um levantamento feito em 2022, baseado em 287 disputas eleitorais brasileiras. Na ocasião, os pesquisadores identificaram que 75,5% dos candidatos que lideravam o primeiro turno também venciam o segundo.

A regularidade histórica, porém, não significa que o resultado esteja definido antes da votação. As probabilidades calculadas pelos pesquisadores representam estimativas condicionadas aos modelos utilizados, e não uma previsão definitiva do resultado eleitoral.

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