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Empreendedora baiana é alvo de boicote no Paraná por política e dá a volta por cima: ‘Tentou me prejudicar, mas ajudou’

Natural de Ilhéus, empreendedora baiana que mora no Paraná foi incluída em uma lista que incentivava o boicote a comerciantes supostamente alinhados à esquerda após as eleições

Por Ananda Costa.

Uma baiana de acarajé que montou seu próprio empreendimento no Paraná passou por momentos de desespero na última segunda-feira (26), após ser incluída em uma lista de boicote que pedia às pessoas que não frequentassem estabelecimentos de empreendedores que supostamente votaram na esquerda no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Empreendedora baiana de acarajé. Foto: Redes sociais

Natural de Ilhéus, na Bahia, Aliliane Souza Santos, conhecida em Francisco Beltrão, no interior do Paraná, como “Lily do Acarajé”, descobriu, durante um almoço em família, nas vésperas do próprio aniversário, que seu empreendimento estava sendo alvo de mensagens que orientavam as pessoas a não frequentá-lo sob a alegação de que ela votava na esquerda, embora nunca tenha se posicionado politicamente.

Emocionada, Lily gravou um vídeo publicado nas redes sociais para relatar o ocorrido e compartilhar com os seguidores a situação que estava enfrentando. O caso ganhou repercussão e mobilizou pessoas em apoio à empreendedora baiana.

“Nem no meu perfil, nem no da minha empresa eu me posiciono politicamente. Nós, do comércio, temos que ser neutros, pois atendemos a todo mundo”, contou Lily em entrevista ao Aratu On.

Ao ser questionada sobre o motivo pelo qual teria sido incluída na lista, a resposta foi óbvia: “Só porque sou baiana e vendo produtos da Bahia”.

Xenofobia nas Eleições 2026

A xenofobia foi uma das pautas debatidas durante as eleições de 2026, principalmente em relação ao Nordeste.

No primeiro turno, o Ministério Público da Bahia (MPBA) iniciou, no dia 6, os trabalhos de coleta, preservação e análise de provas relacionadas a possíveis manifestações criminosas de xenofobia registradas após a divulgação do resultado da primeira etapa das eleições.

O promotor de Justiça Adalto Araújo destacou que a atuação inicial da força-tarefa está concentrada na coleta e na preservação dos elementos probatórios necessários à análise dos casos.

O promotor ressaltou ainda que a atividade criminosa não se confunde com manifestação política e que o debate democrático deve ocorrer com respeito às diferenças. “Não é necessário atacar ou ofender pessoas para defender ideias. O fortalecimento da democracia passa pelo respeito e pela convivência com opiniões divergentes”, observou.

A discriminação ou preconceito por razão de procedência nacional, região, etnia, cor ou raça é equiparada ao crime de racismo.A pena depende do enquadramento legal da conduta. A Lei nº 7.716/1989 prevê diferentes punições para crimes de discriminação e preconceito, e nem todas correspondem a 3 a 5 anos de reclusão.

Denúncia

Após o ocorrido, Lily recebeu apoio de amigos e familiares e chegou a registrar um boletim de ocorrência.

Em entrevista a Juliam Nazaré, do Jornal de Beltrão, que ajudou Lily durante todo o processo, o delegado Ricardo Moraes, responsável pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, informou que a corporação analisa os elementos para definir os possíveis enquadramentos criminais.

“No caso da Lily, algumas questões deixam claro o preconceito pela origem dela. Nem falam de candidato, se referem à Bahia, vinculando como se isso fosse pejorativo, tão somente a procedência dela”, informou o delegado em entrevista ao Jornal de Beltrão.

A Polícia Civil pretende identificar os responsáveis pelas mensagens. “Não apuramos de onde surgiu a lista, mas, quanto aos áudios, iremos fazer o levantamento. Deve ser uma diligência simples. Depois, vamos ter de [confirmar] que o responsável pelo número de fato foi o autor”, afirmou.

Volta por cima

Foto: Juliam Nazaré/Jornal de Beltrão

Mesmo com toda a confusão às vésperas do aniversário, a história de Lily do Acarajé começa a ganhar novos contornos. Após a repercussão do caso, moradores se mobilizaram para fortalecer ainda mais o empreendimento.

Como parte da iniciativa, moradores decidiram se reunir nesta quinta-feira (29), às 16h, em frente ao trailer onde Lily trabalha, para comprar e comer acarajé.

A proposta é fazer com que Lily seja reconhecida pelo trabalho e pela dedicação ao próprio negócio.

“Tentaram me prejudicar, mas acabou me ajudando. O povo brincou falando que queria me deixar famosa e está conseguindo. Às vezes, fico sem acreditar em tudo o que está acontecendo”, contou.

LEIA MAIS: Caso Willian José chega ao MP-BA após suspeita de xenofobia; entenda

 

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