Brasil e mais 5 países divulgam comunicado conjunto sobre ataque dos EUA à Venezuela
Ataques dos EUA à Venezuela deixaram ao menos 40 mortos no sábado (3)
Por Juana Castro.
Os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram um comunicado conjunto, neste domingo (4), no qual expressam preocupação e rejeição às ações militares realizadas unilateralmente pelos Estados Unidos (EUA) contra a Venezuela, no sábado (3), que deixou ao menos 40 mortos. O posicionamento destaca que as medidas violam princípios fundamentais do direito internacional e defende que a crise no país seja solucionada exclusivamente por meios pacíficos.
No documento, os países afirmam que as ações militares contrariam a Carta das Nações Unidas, especialmente no que diz respeito à proibição do uso ou da ameaça da força, ao respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados. Segundo o comunicado, essas iniciativas representam um precedente considerado perigoso para a paz e a segurança regional, além de colocarem em risco a população civil.
As nações signatárias reiteram que a situação na Venezuela deve ser resolvida por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano, sem interferências externas e em conformidade com o direito internacional. O texto ressalta que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode resultar em uma solução democrática, sustentável e alinhada à dignidade humana.
O comunicado também reafirma o compromisso da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, baseada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e no princípio da não intervenção. Nesse contexto, os governos fazem um apelo à unidade regional, independentemente de divergências políticas, diante de ações que possam comprometer a estabilidade da região.
Além disso, os países instam o secretário-geral das Nações Unidas e os Estados-membros de mecanismos multilaterais a utilizarem seus bons ofícios para contribuir com a redução das tensões e a preservação da paz regional.
O texto manifesta ainda preocupação com qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos da Venezuela, apontando que tais iniciativas são incompatíveis com o direito internacional e representam uma ameaça à estabilidade política, econômica e social da região.
Assinam o comunicado os governos de Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai. Leia abaixo, na íntegra:
Comunicado do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha diante dos fatos ocorridos na Venezuela
4 de janeiro de 2026
Os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, diante da gravidade dos fatos ocorridos na Venezuela e reafirmando seu apego aos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, expressam de forma conjunta as seguintes posições:
1. Expressamos nossa profunda preocupação e rejeição às ações militares executadas unilateralmente em território venezuelano, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas. Essas ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz, a segurança regional e colocam em risco a população civil.
2. Reiteramos que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por vias pacíficas, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional. Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode levar a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana.
3. Reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como zona de paz, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica das controvérsias e a não intervenção, e fazemos um chamado à unidade regional, além das diferenças políticas, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade regional. Da mesma forma, instamos o secretário-geral das Nações Unidas e os Estados-membros dos mecanismos multilaterais pertinentes a fazer uso de seus bons ofícios para contribuir para a redução das tensões e a preservação da paz regional.
4. Manifestamos nossa preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que resulta incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região.
Os países firmantes:
Brasil
Chile
Colômbia
Espanha
México
Uruguai
Ataque dos Estados Unidos à Venezuela deixa 40 mortos
O ataque realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela no sábado (3) deixou ao menos 40 mortos, segundo informou o jornal norte-americano The New York Times. A ação, conduzida durante o governo do presidente Donald Trump, resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, afirmou, neste sábado (3), que não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Em pronunciamento, Trump afirmou que os Estados Unidos irão comandar a Venezuela durante o período de transição de governo e também controlar o petróleo do país. O presidente norte-americano voltou a acusar Maduro de chefiar um cartel de narcotráfico na região.
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Entenda o ataque à Venezuela
Na madrugada deste sábado, o presidente Donald Trump anunciou, por meio da plataforma Truth Social, que forças norte-americanas haviam realizado uma missão para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a esposa.
Embora a ação tenha surpreendido parte da comunidade internacional, fontes familiarizadas com o assunto afirmaram que o planejamento da operação vinha sendo desenvolvido há meses e incluiu ensaios detalhados.
De acordo com as informações, tropas de elite dos Estados Unidos, incluindo integrantes da Delta Force, construíram uma réplica do esconderijo de Maduro e treinaram a entrada na residência fortificada.

Ainda segundo fontes, a Agência Central de Inteligência (CIA) mantinha uma equipe em solo venezuelano desde agosto, responsável por fornecer informações sobre a rotina do presidente, o que teria facilitado a captura.
Outras duas fontes ouvidas pela agência Reuters afirmaram que a CIA também contava com um informante próximo a Maduro, que estaria preparado para indicar a localização exata do presidente durante a operação.
Com o planejamento concluído, Trump aprovou a missão quatro dias antes de sua execução. Militares e agentes de inteligência, no entanto, teriam sugerido aguardar condições climáticas mais favoráveis.
Nas primeiras horas de sábado, a Operação Absolute Resolve começou, com o objetivo de capturar Maduro. Trump acompanhou a ação em tempo real, cercado por assessores em seu clube Mar-a-Lago, na Flórida. O avião que transportava Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, chegou, no início da noite de hoje, a Nova York, nos Estados Unidos.
A condução da operação, que durou várias horas, foi detalhada por quatro fontes e pelo próprio presidente dos Estados Unidos.
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