Trump diz que EUA vão governar a Venezuela por tempo indeterminado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (3), que os EUA passarão a governar a Venezuela

Por Bruna Castelo Branco.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (3), que os EUA passarão a governar a Venezuela após o ataque ao país e a prisão do presidente Nicolás Maduro, operação que, segundo ele, foi coordenada por forças norte-americanas.

Em pronunciamento, Trump declarou que tropas dos Estados Unidos permanecerão no país até que um novo governo seja instituído. “Vamos governar o país até que uma transição adequada possa ocorrer”, afirmou, ao se referir a Maduro como ditador.

O presidente norte-americano não detalhou como será estruturada a administração do país e disse que “um grupo” ficará responsável pelo governo local. “Vamos governar com um grupo, e vamos ter certeza de que ele vai ser governado apropriadamente (...). Estamos designando pessoas neste momento [para o governo]. Vamos deixar vocês a par”, declarou.

Segundo Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Heghset, integrarão o comitê encarregado de governar a Venezuela. O presidente afirmou ainda que Rubio teve “uma longa conversa” com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que, segundo ele, “disse que ia fazer tudo o que os EUA precisassem”. Mais cedo, Rodríguez, que está na Rússia, afirmou que seguiria o plano de Maduro para o país.

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Os Estados Unidos, a mando de Trump, invadiram e bombardearam a Venezuela na madrugada deste sábado (3). | Foto: Redes Sociais

Sem informar por quanto tempo os Estados Unidos permanecerão no comando da Venezuela, Trump disse que será necessária uma transição “segura, adequada e sensata”. Ele afirmou que “gostaria que [a intervenção] fosse rápida”, mas que “vai levar tempo”. “Temos que reconstruir a infraestrutura do petróleo. O petróleo é algo muito perigoso, que pode matar muitas pessoas. A infraestrutura está velha”, disse. Veja o vídeo do ataque a Caracas, na Venezuela:

“Estamos lá agora e ficaremos até o momento em que uma transição apropriada aconteça. Vamos ficar até lá. Vamos governar o país, essencialmente, até que uma transição apropriada possa acontecer”, afirmou Trump, em pronunciamento após a prisão de Maduro.

Novos ataques a Venezuela

O presidente também afirmou que os Estados Unidos estão preparados para realizar novos ataques, se necessário. “Pensamos que uma segunda onda de ataques seria necessária, mas, agora, provavelmente não precisaremos. O primeiro ataque foi muito bem-sucedido”, disse.

Em outro momento, Trump fez um alerta a autoridades venezuelanas. “Todas as figuras políticas e militares da Venezuela precisam entender que o que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles e vai acontecer com eles se eles não forem justos com o seu povo”, afirmou.

Controle do petróleo

Trump declarou ainda que empresas norte-americanas entrarão no país para atuar na infraestrutura do setor petrolífero. “Eles não estavam bombeando quase nada [de petróleo], em comparação ao que poderiam bombear. Vamos levar nossas maiores companhias de petróleo dos EUA. Elas vão entrar, gastarão bilhões de dólares, vão consertar a infraestrutura do petróleo e começarão a fazer dinheiro para o país”, disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste sábado (3), que os EUA passarão a governar a Venezuela. | Foto: Redes Sociais

Segundo o presidente, a Venezuela fará “muito dinheiro” com o petróleo. Ele afirmou que as empresas americanas que atuarão no país “serão reembolsadas” pelo trabalho, que classificou como um “investimento bilionário”.

Trump detalhou a operação em pronunciamento realizado em sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida. Estavam presentes o secretário de Estado, Marco Rubio, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, e Pete Heghset, secretário de Defesa. Mais cedo, o presidente afirmou que acompanhou a ação em tempo real.

De acordo com Trump, Maduro e a esposa foram detidos em “questão de segundos” e não tiveram tempo de reagir. Em entrevista ao canal Fox News, ele disse que assistiu à operação de Mar-a-Lago e afirmou que “foi como assistir a um programa de TV”.

Segundo o presidente norte-americano, Maduro tentou “chegar a um lugar seguro”, mas não conseguiu. “Ele chegou à porta, mas não conseguiu fechá-la”, declarou.

A operação contou com um “grande número” de helicópteros e aeronaves militares. Trump afirmou que as tropas ensaiaram a abordagem por dias e comparou a ação ao ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares do Irã, em junho de 2025. Após a detenção, Maduro e a esposa foram colocados em um barco.

Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, onde responderão por denúncias de narcotráfico e terrorismo. | Foto: Redes Sociais

“Ele estava em um lugar altamente seguro, uma casa, que era como em uma fortaleza, com portas de aço, uma área segura. Eu assisti, literalmente, como se estivesse assistindo a um programa de TV. Se você tivesse visto a velocidade, a violência, como isso aconteceu. Foi um trabalho maravilhoso”, disse Trump.

Segundo o presidente, poucas pessoas ficaram feridas e ninguém morreu durante a operação. Ele afirmou que integrantes das forças norte-americanas que participaram da captura de Maduro sofreram alguns ferimentos, mas não houve mortes.

Maduro e a esposa estão a caminho de Nova York, onde responderão por denúncias de narcotráfico e terrorismo, segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, Pam Bondi lembrou que o venezuelano foi denunciado por um tribunal de Nova York em 2020.

Reação de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a invasão dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro, ação que Lula chamou de “afronta gravíssima a soberania” do país. Na postagem feita nas redes sociais, o presidente cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", disse Lula. Leia na íntegra:

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também condenou à invasão dos Estados Unidos a Venezuela. Nas redes sociais, Jerônimo afirmou atuar para ajudar baianos que estão no país vizinho. "O Governo da Bahia está atuando para identificar a situação dos baianos que se encontram na Venezuela e agindo para que suas necessidades sejam atendidas pela Embaixada do Brasil naquele país, em conjunto com as dos demais brasileiros, bem como junto ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania".

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