Ao Aratu On, ministra aponta desigualdade social como desafio da Bahia
A chefe da pasta da Igualdade Racial ainda destacou atitudes realizadas para mudar cenário: Ao Aratu On, ministra aponta desigualdade social como desafio da Bahia
Por João Tramm.
Em entrevista ao Aratu On, ministra aponta desigualdade social como desafio da Bahia. A avaliação é da chefe da pasta da Igualdade Racial, Raquel Barros, que concedeu falou com exclusividade com a reportagem durante sua passagem por Salvador para as celebrações do 2 de Julho, em que ela foi uma das autoridades presentes nos festejos.
Rachel destacou os avanços na implementação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial. Mesmo assim, na avaliação dela, a desigualdade social e a regularização das terras dos povos originários ainda está entre os principais desafios enfrentados pela Bahia.

Igualdade Racial: Ministra aponta desigualdade social como desafio da Bahia
Segundo a ministra Rachel Barros, problemas como o acesso desigual a oportunidades, os conflitos envolvendo comunidades quilombolas e a necessidade de fortalecer a atuação conjunta entre União, estados e municípios continuam exigindo atenção do poder público.
"Esses desafios estão colocados para muitos estados e municípios. No fundo, a gente está falando do enfrentamento ao racismo e de como ele aparece em diversas violações de direitos", afirmou.
Raquel destacou que uma das estratégias adotadas pelo Ministério da Igualdade Racial tem sido ampliar a adesão de estados e municípios ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir). De acordo com ela, o número de entes participantes passou de cerca de 100, no início da atual gestão, para mais de 400.
Para a ministra, essa ampliação fortalece a capacidade de diálogo entre os diferentes níveis de governo e contribui para a construção de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades.
Ao abordar a situação das comunidades quilombolas, Raquel reconheceu que a regularização fundiária ainda enfrenta obstáculos. Ela explicou que o processo de titulação das terras envolve diversas etapas administrativas e judiciais, o que acaba prolongando a conclusão dos processos.
"O processo é complexo. Existe o reconhecimento do território, decretos, indenizações e ações judiciais. Estamos trabalhando para reduzir esse tempo e acelerar essas entregas", disse.
Questionada sobre as expectativas em torno do Ministério da Igualdade Racial, a ministra afirmou que as cobranças da sociedade refletem a dimensão dos problemas enfrentados pela população negra no país.
"Existe uma esperança muito grande em relação às políticas de igualdade racial. A gente sabe que não vai resolver um problema histórico como o racismo em poucos anos, mas é preciso construir políticas permanentes e fortalecer essa agenda em todo o governo", declarou.
Durante a visita à Bahia, Raquel também participou das comemorações do 2 de Julho e afirmou que o reconhecimento de Salvador como capital simbólica do Brasil na data representa um gesto de valorização da memória histórica e da participação da população negra na formação do país.

A ministra, em entrevista anterior ao Aratu On, já comentou sobre outros debates raciais do país. Um deles foi relacionado a escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.
A discussão sobre escolhas que apoiem a diversidade ganha força com a indicação do novo nome para o STF. A tentativa fracassada de emplacar Jorge Messias, que não representava nenhum grupo minorizado, colocou atenção para este debate. Nessa esteira, Rachel Barros entende que o sinal que Lula dá para a população é de compromisso com a pauta.
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