Após uma onda de violência que vem ocorrendo há alguns dias no bairro de Saramandaia, em Salvador, o pároco da Paróquia São Francisco de Assis, Jonathan de Jesus, localizada na região, divulgou uma carta onde lamenta a situação.

"De fato, foi um momento difícil para todos nós, pois ninguém deve se acostumar com a violência. Respiramos por horas um terror horrível, mas acompanhados pela força que transcende tudo, a oração", desabafou o pároco. 

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O sacerdote disse temer que a onda de violência ajude a aumentar o preconceito já existente com o local. "Como pastor deste povo que muito amo, e morador da comunidade de Saramandaia, com muito orgulho, temo que cresça o preconceito, que já existe, deste lugar que moramos e vivemos e sua população. Quero lembrar que Saramandaia não se resume a acontecidos aterrorizantes, não, não! Estou aqui já faz 1 ano e 2 meses e nunca vivenciei um momento como o vivido, por isso digo que não podemos delinear nossa realidade a partir de um fato", afirmou.

O padre ressaltou ainda que o problema da violência é algo que ocorre em toda a capital baiana. "A violência vista pelos meios de comunicação em Saramandaia esses dias, acontece em toda Salvador, então, Saramandaia não é privilegiada, pois o problema é de segurança pública e não de pessoas que tantas vezes são vítimas de um sistema que oprime, usurpa e mata, desejando tirar nossa dignidade e alimentando sorrateiramente preconceitos contra periféricos e moradores de comunidades", declarou. Leia a carta na íntegra, disponibilizada pela Arquidiocese de Salvador

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No dia 23 de junho, os moradores de Saramandaia viveram momentos de pânico, depois que 15 criminosos do Nordeste de Amaralina, que fazem parte da facção Comando da Paz, tentaram invadir "bocas de fumo" nas comunidades da Horta e Belo do bairro, dominadas por uma outra facção criminosa. Policiais realizaram uma operação na região, e pelo menos dois suspeitos foram baleados, além de um morador e um policial.

Já no dia 25, houve tiroteio, promovido por criminosos ligados ao tráfico de drogas na região. No dia 10 de junho, já havia ocorrido um tiroteio no bairro, com confronto entre policiais e crimnosos. Uma pessoa foi baleada no confronto.

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