‘Xerife do 2 de Julho’ e ‘Bin Laden’: ex-PM de 103 anos é acusado de histórico de violência
O ex-PM de 103 anos, Emiliano Melo dos Santos, é julgado pela morte de Welton Lopes Costa, de 34 anos
Por João Tramm.
O julgamento do ex-PM de 103 anos Emiliano Melo dos Santos, acusado de matar Welton Lopes Costa, de 34 anos, e ferir a companheira dele, Jeniffer Carvalho dos Santos, foi marcado nesta quinta-feira (24) por versões distintas. Um dos pontos de discussão é a atuação do policial da reserva no bairro. O crime aconteceu em 22 de agosto de 2021, no Dois de Julho, região central da capital baiana.
Enquanto o irmão da vítima, Welbert Lopes Costa, afirmou que Emiliano era conhecido como “Bin Laden” e atuava como uma espécie de “xerife do 2 de Julho”, a ex-nora do acusado, Dayse de Jesus Lira, relatou que ele realizava ações sociais e era cuidadoso com a comunidade. As falas acontecem em frente ao júri, que terá o papel de decidir qual se inocenta ou condena o centenário.
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Até o momento, um dos caminhos apresentados pela defesa é que Emiliano teria tentado ajudar um relacionamento abusivo. Outro ponto defendido é que a situação se agravou e que o agente atuou em legítima defesa diante da situação.
Ex-pm de 103 anos atuava como ‘xerife’ no bairro
Welbert Lopes Costa afirmou, enquanto prestava depoimento, que não estava no local no momento dos disparos que mataram seu irmão, mas afirmou ter prestado socorro após o episódio.
Ele ainda disse que Emiliano era conhecido pelo apelido de “Bin Laden” já que todos sabiam que o ex-PM tinha uma atuação violenta no bairro, andava armado e não mantinha uma conduta amigável. Segundo Welbert, Emiliano era tratado como uma espécie de “xerife do 2 de Julho”.
Dentre os episódios que constam nos autos estão atitudes rígidas, como disparos ao ar, diante de ameaças a uma mangueira que tinha no local. Ainda em testemunho, vizinhos apontam para implantação de arame farpado, por parte de Emiliano, para protejer a árvore.
O irmão de Welton também afirmou que moradores da região teriam se sentido intimidados a prestar depoimentos contra Emiliano.

Nora apresenta outra versão sobre atuação de ex-PM
A ex-nora de Emiliano, Dayse de Jesus Lira, apresentou uma versão diferente sobre a relação do acusado com os moradores do bairro.
Segundo ela, o ex-PM realizava ações sociais e tinha uma postura de cuidado com a comunidade. O relato foi apresentado durante o julgamento como contraponto às declarações de Welbert sobre a suposta atuação violenta de Emiliano na região.
Promotoria questiona condição física do acusado
Outro ponto abordado durante os testemunhos foi a atual condição física de Emiliano, que utiliza cadeira de rodas.
A promotoria questionou testemunhas sobre a utilização do equipamento e sobre a condição física apresentada pelo acusado durante o julgamento.

A fragilidade do acusado é determinante para a aplicação de como será feita a aplicação de uma eventual senteça. Especialistas apontam que, pela idade, a prisão domiciliar é apontada como principal opção.
Segundo afirmou a ex-nora de Emiliano, ele utiliza a cadeira principalmente em situações que exigem maior esforço físico.
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