Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim depende do atendimento a exigências, diz MP

O MP informou que a expectativa é de que os festejos ocorram dentro das regras previstas no Termo de Ajuste de Conduta (TAC)

Por Dinaldo dos Santos.

A realização da tradicional Guerra de Espadas de Senhor do Bonfim segue em fase de preparação para ocorrer de forma regularizada nos festejos juninos de 2026, mas a possibilidade depende do atendimento a exigências, conforme o Ministério Público da Bahia. 

Guerra de Espadas. Foto: Reprodução | Redes Sociais

Cerca de seis meses após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a Prefeitura e a Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB), os organizadores ainda aguardam etapas decisivas para a efetivação do acordo.

Firmado em dezembro do ano passado, o TAC estabeleceu uma série de exigências para permitir a realização da manifestação cultural em um espaço específico, conhecido como espadódromo, com rígidos protocolos de segurança e utilização de artefatos certificados conforme as normas do Exército Brasileiro.

Guerra de Espadas depende do atendimento a exigências

Em nota, o Ministério Público informou que a expectativa é de que os festejos ocorram dentro das regras previstas no acordo. Segundo o órgão, há uma área em fase de vistoria e adequação, mas a realização do evento depende do cumprimento de dois requisitos considerados essenciais: a aprovação definitiva do local pelos órgãos competentes e a certificação das espadas que serão utilizadas.

O MP destacou ainda que acompanha o processo em conjunto com o Município, órgãos de segurança pública, Corpo de Bombeiros e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), buscando compatibilizar a preservação da tradição cultural com a segurança dos participantes e da população.

Guerra de Espadas em Senhor do Bonfim. Foto: Reprodução

Espadeiros reclamam de burocracia

Já a Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim afirma que os preparativos estão avançados, mas reconhece que a liberação depende de trâmites junto ao Exército Brasileiro. De acordo com a entidade, o processo enfrenta entraves burocráticos relacionados à certificação exigida pelo TAC.

Considerada uma das manifestações mais tradicionais do São João bonfinense, a Guerra de Espadas foi alvo de discussões judiciais e medidas restritivas nos últimos anos devido aos riscos de acidentes. O acordo firmado em dezembro foi tratado pelas partes como uma solução para conciliar a preservação do patrimônio cultural com as exigências legais e de segurança.

Perigos na guerra de espadas

Anualmente, o Corpo de Bombeiros publica alertas sobre os perigos na produção das espadas e outros explosivos, que é artesanal, e realizada, muitas vezes, em locais improvisados, como barracões e depósitos. Este ano, apesar da proibição, moradores do bairro de Periperi, em Salvador, foram filmados promovendo Guerras de Espadas na região.

No último 23 de junho, véspera de São João, ninguém foi preso pela atividade no município. Em nota publicada no período junino, a Prefeitura de Senhor do Bonfim reforçou a "importância de celebrar com responsabilidade e respeito às leis", e destacou que a Guerra de Espadas "representa riscos reais à vida e à segurança de todos e é considerada crime, conforme previsto na Lei Federal nº 10.826/2003".

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