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Casos de estupro contra crianças e adolescentes crescem 3,4% na Bahia

Estado registrou 4.262 casos de estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes em 2025; faixa de 10 a 13 anos concentrou o maior número de vítimas

Por Victor Hernandes.

Os casos de estupro contra crianças e adolescentes na Bahia cresceram 3,4% entre 2024 e 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Anuário da Segurança Pública 2026. O levantamento aponta aumento no número de registros de estupro de vulnerável envolvendo vítimas de até 17 anos.

Imagem ilustrativa sobre violência sexual infantil. Anuário da Segurança Pública mostra aumento dos casos de estupro contra crianças e adolescentes na Bahia em 2025 / Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Em números absolutos, a Bahia passou de 4.194 casos em 2024 para 4.262 em 2025. A taxa de vítimas por 100 mil habitantes na faixa etária de 0 a 17 anos também aumentou, passando de 118,4 para 122,5.

Faixa de 10 a 13 anos concentra maior número de vítimas

De acordo com o anuário, o crescimento foi impulsionado principalmente pelas faixas etárias intermediárias. Entre crianças de 5 a 9 anos, a taxa aumentou 6,1%, totalizando 891 casos.

Já a faixa de 10 a 13 anos registrou a maior concentração de vítimas no estado. Foram 1.924 casos, representando um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, houve alta de 0,5%, com 981 registros.

A única redução ocorreu entre crianças de 0 a 4 anos, faixa que apresentou queda de 8,1%, totalizando 466 casos.

Bahia registra queda nos casos gerais de estupro

Apesar do aumento dos registros envolvendo crianças e adolescentes, o Anuário da Segurança Pública aponta redução no total de crimes de estupro no estado. A Bahia contabilizou 5.128 casos de estupro em 2025, contra 5.516 em 2024, uma queda de 7,2%. A taxa por 100 mil habitantes também caiu, passando de 37,1 para 34,5.

Nos casos classificados como estupro, foram registrados 1.137 crimes em 2025, redução de 12,2% em comparação aos 1.293 casos de 2024. Já os registros de estupro de vulnerável somaram 3.991 ocorrências em 2025, queda de 5,6% em relação aos 4.223 casos registrados no ano anterior.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelou que ampliou a rede de apoio e combate à violência doméstica e crimes sexuais com novas DEAMs e NEAMs e Salas Lilás, criações do Batalhão e Departamento de Proteção à Mulher e também com o lançamento do Baralho Lilás, expondo agressores que possuem mandados de prisão. A pasta disse também que utiliza de tecnologia para captura de criminosos. 

Mulheres seguem como maioria das vítimas

As mulheres continuam sendo a maioria das vítimas de violência sexual na Bahia. Segundo o levantamento, foram registrados 4.433 casos envolvendo vítimas do sexo feminino em 2025, uma redução de 7,9% em comparação com 2024.

Desse total:

  • 1.060 casos foram classificados como estupro;

  • 3.373 casos foram registrados como estupro de vulnerável.

O anuário também apontou 38 casos de estupro contra pessoas da população LGBTQIAPN+ em 2025, número 24% menor do que os 50 registros contabilizados em 2024. 

Cinco das dez cidades mais violentas do Brasil estão na Bahia

A Bahia voltou a concentrar destaque negativo no ranking das cidades mais violentas do Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cinco municípios baianos aparecem entre os dez mais violentos do país. O estudo também afirma que o estado continua com o maior número absoluto de mortes violentas intencionais no Brasil.

Eunápolis, no extremo sul da Bahia, ocupa a segunda colocação no levantamento, atrás apenas de Maranguape, no Ceará. Também aparecem entre as dez cidades mais violentas do Brasil os municípios de Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro.

O levantamento considera a taxa de mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes. Além da presença de cinco municípios no ranking, a Bahia segue entre os estados com os maiores índices desse tipo de crime. Segundo o anuário, sete das dez unidades da federação com as piores taxas de crimes violentos estão na região Nordeste.

Na edição anterior do estudo, divulgada em 2024, a Bahia também tinha cinco representantes entre as cidades mais violentas do país: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário é influenciado, principalmente, pelas disputas entre organizações criminosas pelo controle do tráfico de drogas.

Apesar da posição no ranking, o estado registrou redução de 9,5% nas mortes violentas intencionais, passando de 6.047 casos em 2024 para 5.473 em 2025.

Mortes policiais

O anuário também mostra aumento nas mortes decorrentes de intervenções policiais na Bahia. Em 2025, foram registradas 1.570 mortes provocadas por policiais em serviço ou fora dele, contra 1.556 no ano anterior.

Em números absolutos, a Bahia lidera esse ranking nacional, à frente de São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. Em todo o país, esse tipo de ocorrência passou de 6.237 para 6.602 casos entre 2024 e 2025. Os dados mostram ainda que 28,7% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado tiveram origem em intervenções policiais. Em 2024, esse percentual era de 25,7%.

O levantamento aponta que seis das dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que apresentaram as maiores taxas de mortes por intervenção policial estão na Bahia. Porto Seguro lidera a lista, seguida por Eunápolis, Simões Filho, Jequié, Lauro de Freitas e Luís Eduardo Magalhães.

Além disso, a Bahia permanece na liderança nacional em número absoluto de homicídios dolosos. Em 2025, o estado registrou 3.765 vítimas, contra 4.317 no ano anterior, uma redução de 12,9%. O número de ocorrências também caiu de 4.107 para 3.553, redução de 13,6%. Mesmo com a queda, o estado continua liderando o país em números absolutos desse tipo de crime.

Imagem ilustrativa sobre violência sexual infantil. Anuário da Segurança Pública mostra aumento dos casos de estupro contra crianças e adolescentes na Bahia em 2025

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