Adolescente pede desculpa após usar roupa nazista na formatura das irmãs
Menino adolescente usou traje nazista durante formatura das irmãs em Medicina e, após repercussão, pediu desculpa, afirmando que estava errado, mas que é um 'menino bom'
Por Juana Castro.
Um adolescente chamou atenção ao usar um traje com símbolos nazistas durante a festa de formatura das irmãs no curso de medicina de uma faculdade particular, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. O episódio ocorreu no sábado (10), ganhou repercussão nas redes sociais e motivou a abertura de procedimento pelo Ministério Público do estado.

Menino usa roupa nazista em formatura e imagens repercutem
O jovem vestia um blazer cinza com insígnias aplicadas no peito e nos ombros, incluindo símbolos em formato de cruz e uma águia estilizada. Entre os elementos identificados está a Cruz de Ferro nazista, condecoração militar instituída pelo Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial.
O traje era composto ainda por calça em tom verde-acinzentado e botas pretas de cano alto, semelhantes aos uniformes utilizados por militares do regime nazista.
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Em outra imagem divulgada nas redes sociais, o adolescente aparece fazendo um gesto semelhante à saudação nazista “Heil Hitler” (“Salve Hitler”), caracterizada pelo braço direito estendido e a palma da mão voltada para baixo, símbolo associado à lealdade ao ditador Adolf Hitler (1889–1945).
Organização do evento e formandos se manifestam
A produtora responsável pela festa, Master Produções e Eventos, informou que o menino chegou ao local acompanhado pelos pais e não usava, inicialmente, vestimenta considerada inadequada. Segundo a empresa, o cerimonial ocorreu à 0h18 e a família deixou o evento por volta de 0h30, quando a solenidade ainda estava em andamento. Mais de 1.800 pessoas participaram da festa.
De acordo com a produtora, o adolescente teria trocado de roupa em um “momento pontual” apenas para posar em fotos de cunho pessoal, sem o conhecimento da organização. Em nota, a empresa afirmou repudiar “de forma veemente” qualquer símbolo ou manifestação ligada ao nazismo ou a ideologias de ódio e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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A turma de formandos divulgou nota de repúdio, afirmando que tomou conhecimento do ocorrido apenas após a circulação das imagens nas redes sociais. No comunicado, os formandos pediram desculpas pela “atitude irresponsável, negligente e criminosa” do adolescente e de seus familiares, sem detalhar quais medidas estão sendo adotadas.
Faculdade repudia episódio
A Facene RN afirmou que a manifestação é “repugnante” e afronta valores democráticos, a dignidade humana e a memória das vítimas do nazismo. Segundo a instituição, a atitude é “totalmente incompatível com os princípios éticos, humanísticos e acadêmicos” que orientam a faculdade.
A instituição ressaltou que não organizou, promoveu ou financiou o evento, esclarecendo que a festa não se tratava de uma cerimônia oficial. A faculdade informou ainda que irá reforçar comunicados aos estudantes sobre a ausência de vínculo institucional com eventos privados e dialogar com os organizadores para evitar novos episódios semelhantes.
Em uma segunda nota, a Facene RN disse que não está comprovado se o menor entrou no evento já vestido com o traje ou se realizou a troca de roupa posteriormente, afirmando que a apuração cabe à organização da festa.
Conselho Tutelar e Ministério Público acompanham o caso
O Conselho Tutelar da 34ª Zona de Mossoró declarou que cabe à polícia avaliar se houve a prática de ato infracional. O colegiado repudiou práticas racistas, discriminatórias ou associadas à intolerância e se colocou à disposição para atuar conforme as atribuições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O Ministério Público do Rio Grande do Norte abriu procedimento para apurar o caso. O processo tramita sob segredo de Justiça, por envolver um adolescente. Os familiares não foram localizados para comentar o episódio, e o espaço segue aberto para manifestações.
Apologia ao nazismo é crime no Brasil
A legislação brasileira considera crime a apologia ao nazismo. A Lei nº 9.459/97 prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para quem fabricar, comercializar, distribuir ou divulgar símbolos, emblemas ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou outros elementos com a finalidade de promover a ideologia nazista.
Adolescente pede desculpas em vídeo
Após a repercussão, o adolescente divulgou um vídeo em que pede desculpas pelo ocorrido. Ele afirmou que comprou a roupa em uma feira e que “gosta de se fantasiar”, citando outros personagens históricos e fictícios. Segundo o jovem, ele acreditava que se tratava de “só mais uma fantasia”, mas reconheceu que estava errado.
“Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado, mas eu não sou um menino assim, eu sou um menino bom”, disse. A gravação foi divulgada com autorização dos pais, que, assim como as irmãs, não se pronunciaram publicamente sobre o caso.
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