Copa do Nordeste: Por que o Vitória pode ser penta e reivindicar o hexa?
Em caso de título, o Vitória conquistaria o pentacampeonato mas reivindica reconhecimento do hexacampeonato regional
Por Dinaldo dos Santos.
A presença do Vitória na final da Copa do Nordeste de 2026 reacendeu uma antiga discussão entre torcedores, dirigentes e historiadores do futebol nordestino: afinal, em caso de título, o Rubro-Negro conquistaria o pentacampeonato ou o hexacampeonato regional?

Pela contagem oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a resposta é clara. O Vitória possui quatro títulos da Copa do Nordeste, conquistados em 1997, 1999, 2003 e 2010. Dessa forma, caso levante a taça em 2026, o clube alcançaria seu quinto troféu oficial da competição, tornando-se pentacampeão, se igualando ao rival, Bahia.
No entanto, dentro do Barradão e entre muitos torcedores rubro-negros, a história é contada de forma diferente. O clube considera como título regional a conquista do Torneio José Américo de Almeida Filho, disputado em 1976. A competição reuniu equipes nordestinas e teve o Vitória como campeão após vitória por 3 a 0 sobre o América-RN na decisão.
O reconhecimento dessa taça é justamente o centro da polêmica. Em 2021, Vitória e Náutico apresentaram à CBF um pedido para que torneios regionais disputados antes de 1994 fossem reconhecidos oficialmente como títulos da Copa do Nordeste. Até o momento, porém, não houve uma decisão definitiva da entidade sobre o assunto.

A situação gera interpretações distintas. Para a CBF, o Vitória segue com quatro títulos e busca o penta. Já para a diretoria rubro-negra, que considera o torneio de 1976 equivalente a uma edição do Nordestão, a equipe já seria pentacampeã e estaria em busca do sexto título regional. Não por acaso, o presidente do clube, Fábio Mota, declarou recentemente que o Leão busca o "hexa", apostando no futuro reconhecimento da conquista de 1976.
Especialistas em história do futebol, entretanto, apontam obstáculos para essa equiparação. Um dos argumentos é que o Torneio José Américo de Almeida Filho não fazia parte de uma competição organizada pela CBF e contou, inclusive, com a participação do Volta Redonda, equipe do Rio de Janeiro, o que diferencia o torneio das edições posteriores da Copa do Nordeste.
Assim, a explicação para a dúvida é simples: se a análise considerar apenas os títulos reconhecidos oficialmente pela CBF, o Vitória disputa o pentacampeonato. Se for adotada a contagem defendida pelo clube, que inclui a conquista regional de 1976, o objetivo passa a ser o hexacampeonato.
Até que a CBF se manifeste oficialmente sobre o pedido de reconhecimento, as duas versões continuarão convivendo no debate esportivo nordestino. O que não está em discussão é que uma eventual conquista em 2026 ampliará ainda mais a posição do Vitória entre os maiores vencedores da história do futebol regional.
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