Rede Capoeira homenageia mestres da cultura do Recôncavo Baiano

Evento 'Rede Capoeira: Heróis Populares - Edição Recôncavo' homenageia oito mestres da cultura popular da Bahia

Por Juana Castro.

Oito mestres e mestras da cultura popular do Recôncavo Baiano serão homenageados na 7ª edição do Rede Capoeira: Heróis Populares – Edição Especial Recôncavo da Bahia, que acontece entre os dias 16 e 18 de janeiro, nos municípios de Santo Amaro e Cachoeira.

Mestre Bigo, Mestre Domingo Preto, Mestre Aurino de Maracangalha, Mestre Ecinho, Mestra Dona Maninha, Mestra Dona Dalva, Mestra Dona Rita da Barquinha e Mestra Lindaura da Boa Morte são os protagonistas desta edição, reconhecidos por suas trajetórias dedicadas à preservação e transmissão de saberes como a capoeira, o samba de roda e a religiosidade popular afro-brasileira.

Mestra Lindaura da Boa Morte, Mestre Ecinho e Mestra Dona Maninha e Mestre Bigo estão entre os homenageados na Rede Capoeira 2026 | Divulgação

A cerimônia oficial de premiação está marcada para sexta-feira (16), às 17h, em Cachoeira, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da presidenta da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella. Na ocasião, será entregue o Troféu Sankofa, símbolo africano que representa a valorização da memória ancestral e a conexão entre passado, presente e futuro.

A programação tem início na manhã de sexta-feira, em Santo Amaro, e segue no mesmo dia para Cachoeira, onde se concentram as principais atividades ao longo dos três dias. O evento reúne rodas de capoeira, oficinas, ações griô, painéis, apresentações culturais, shows, feira de economia criativa, vila gastronômica e manifestações tradicionais.

Além das homenagens, o Rede Capoeira promove encontros entre mestres da capoeira do Brasil e do exterior, pesquisadores e intelectuais, fortalecendo o diálogo entre ancestralidade, memória e produção cultural contemporânea no Recôncavo Baiano.

Saiba mais sobre os homenageados

Mestre Ecinho

Mestre Ecinho é um dos grandes nomes do samba de roda de Santo Amaro e da região de Acupe. Nascido em 1951, no Vale do Iguape, em Cachoeira, é filho da centenária sambadeira Dona Maninha e consolidou-se como um dos últimos grandes cantadores de chula do município. Iniciado por mestres históricos como Lió e Preta, tornou-se referência pelo rigor musical, pelo domínio do “grito da chula” e pela atuação em grupos tradicionais como o Samba de Roda Raízes de Acupe, além de integrar diversas formações da região. Sua trajetória representa a resistência quilombola e a continuidade de uma das expressões mais ancestrais do Recôncavo.

Mestra Dona Maninha

Mestra Dona Maninha, Maria de Lourdes Ferreira, é a matriarca do samba de roda do Recôncavo Baiano. Aos 110 anos de idade, natural de Acupe, em Santo Amaro, foi reconhecida como uma das mais antigas guardiãs vivas da tradição. Descendente de pessoas escravizadas, preservou cânticos, ritmos e danças que atravessaram séculos e hoje são reconhecidos como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Sua presença é símbolo de resistência, ancestralidade e força da mulher negra na construção da identidade cultural baiana.

Mestre Ecinho e Mestra Maninha | Foto: divulgação

Mestra Lindaura da Boa Morte

Mestra Lindaura da Boa Morte, também conhecida como Irmã Lindaura da Paz, é Juíza Perpétua da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira, uma das mais antigas confrarias afro-católicas do Brasil. Guardiã da memória e da espiritualidade da irmandade, ela simboliza a resistência das mulheres negras que, desde o período escravista, transformaram a fé em instrumento de luta, solidariedade e liberdade. Sua atuação é fundamental para a preservação da Festa da Boa Morte, patrimônio imaterial da Bahia e expressão máxima da ancestralidade afro-baiana.

Mestra Lindaura | Foto: Divulgação

Mestra Dona Rita da Barquinha

Mestra Dona Rita da Barquinha, nascida em Bom Jesus dos Pobres, distrito de Saubara, é a grande guardiã da tradição das barquinhas, manifestação cultural ligada ao mar, à fé e ao samba de roda. Iniciada ainda criança, transformou um ritual comunitário em símbolo identitário do seu povo, levando a barquinha a diversos palcos do Brasil e do mundo. Criadora de um grupo formado majoritariamente por jovens, Dona Rita mantém viva a tradição ao mesmo tempo em que forma novas gerações, fazendo da cultura popular um espaço de pertencimento, reconhecimento e continuidade.

Mestra Dona Rita da Barquinha | Foto: Divulgação

Mestra Dona Dalva

Mestra Dona Dalva, nascida em 1927, em Cachoeira, é uma das maiores referências do samba de roda no Brasil. Fundadora do Samba de Roda Suerdieck, construiu sua trajetória conciliando o trabalho como operária da fábrica de charutos com a preservação das tradições afro-baianas. Doutora Honoris Causa pela UFRB, é também liderança da Irmandade da Boa Morte e compositora de sambas que narram o cotidiano e a resistência do povo negro. Dona Dalva é reconhecida como um verdadeiro tesouro humano do Recôncavo.

Mestra Dona Dalva | Foto: Divulgação

Mestre Domingo Preto

Mestre Domingo Preto, Domingos Ferreira, é uma das vozes mais potentes da chula e do samba de roda de Santiago do Iguape. Mestre da tradição oral, é reconhecido pela improvisação poética e pelo rigor técnico da chula, onde o canto antecede a dança. Sua atuação vai além da música: é liderança comunitária e referência na afirmação da identidade negra quilombola, utilizando o samba como ferramenta política, educativa e ancestral.

Mestre Domingo Preto | Foto: Divulgação

Mestre Bigo

Mestre Bigo, Francisco Thomé dos Santos Filho, é um dos grandes guardiões da Capoeira Angola e discípulo direto de Mestre Pastinha. Nascido em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, dedicou mais de sete décadas à preservação da filosofia, do ritual e da musicalidade da capoeira tradicional. Atuante na Bahia e em outros estados, Mestre Bigo é reconhecido como elo vivo entre a capoeira do século XX e as novas gerações, sendo referência em projetos de salvaguarda da cultura afro-brasileira.

Mestre Bigo | Foto: Divulgação

Mestre Aurino de Maracangalha

Mestre Aurino de Maracangalha, também conhecido como Mestre Aurino da Viola, é um dos maiores mestres da viola machete e da chula no Recôncavo Baiano. Natural de Maracangalha, construiu sua trajetória como poeta do samba chula, dominando afinações raras e mantendo viva a centralidade do canto na tradição. Seu trabalho de registro fonográfico e sua atuação em festas populares e projetos culturais fizeram dele uma referência nacional na preservação do samba de roda.

Mestre Aurino de Maracangalha | Foto: Divulgação

Serviço

7ª Rede Capoeira – Heróis Populares – Edição Especial Recôncavo da Bahia

Quando: sábado a domingo, 16 a 18 de janeiro de 2026
Onde: Santo Amaro e Cachoeira
Quanto: entrada gratuita

Confira a programação da 7ª Rede Capoeira

Sexta-feira (16/1)

Santo Amaro
9h – Manifestação cultural (Câmara Municipal)
10h – Abertura solene da 7ª edição do Rede Capoeira – Heróis Populares (Câmara Municipal)
11h – Manifestação cultural (Câmara Municipal)
11h30 – Seletiva Estação Paranauê (Praça da Purificação)

Cachoeira
17h às 22h – Mercado Iaô Itinerante: feira de economia criativa e vila gastronômica (Praça Ubaldino de Assis)
17h às 19h – Homenagem e entrega do Troféu Sankofa aos Heróis Populares 2026 (Praça Ubaldino de Assis)
19h30 – Show com mestres sambadores e mestras sambadeiras do Recôncavo (Praça Ubaldino de Assis)

Sábado (17/1)

Cachoeira
9h às 22h – Mercado Iaô Itinerante: feira de economia criativa e vila gastronômica (Praça Ubaldino de Assis)
9h – Oficinas, ações griô e rodas de capoeira em espaços culturais da cidade
11h50 – Painel “Os Capoeiras do Recôncavo” (Cine Theatro Cachoeirano)
14h30 – Painel “O Arco Ancestral” (Cine Theatro Cachoeirano)
17h – Painel sobre economia criativa nas culturas populares (Cine Theatro Cachoeirano)
18h – Roda de Capoeira Filhos do Recôncavo (Praça Ubaldino de Assis)
19h – Lançamento da autobiografia “João Grande por ele mesmo”
20h30 – Show Semente do Samba
21h30 – Show Sambaiana

Domingo (18/1)

Cachoeira
9h às 14h – Feira de economia criativa e vila gastronômica (Praça Ubaldino de Assis)
9h – Painel “Besouro Mangangá: mito, história e resistência” (Cine Theatro Cachoeirano)
12h – Roda de capoeira de encerramento (Praça Ubaldino de Assis – Coreto)
13h – Roda de samba (Praça Ubaldino de Assis)

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