Ismália: música de Emicida citada por Cármen Lúcia tem participação da baiana Larissa Luz

Música "Ismália", de Emicida, conta com participação da cantora baiana Larissa Luz e da atriz Fernanda Montenegro

Por Juana Castro.

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), viralizou nas redes sociais após citar uma música de Emicida durante julgamento sobre racismo estrutural na Corte. Mas você sabe qual é a canção?

Trata-se de "Ismália", faixa do álbum "AmarElo", do rapper paulista, lançado em 2019. Inspirada no poema de Alphonsus de Guimaraens, a música reflete sobre racismo, padrões de beleza e busca por liberdade e aceitação. A canção conta com a participação da cantora baiana Larissa Luz, também intérprete de Elza Soares no premiado musical que leva o nome da "voz do milênio", segundo a Billboard.

Larissa Luz e Emicida foram ovacionados ao cantar 'Ismália' em Salvador, em maio de 2024 | Foto: Caio Lírio/reprodução/Instagram (@larissaluzeluz)

Durante show da turnê "AmarElo - A Gira Final", em Salvador, em maio de 2024, Larissa e Emicida foram ovacionados pelo público presente na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA). Veja abaixo parte da apresentação:   


Vídeo: Juana Castro/Aratu On

Além deles, a música "Ismália" conta ainda com a voz da atriz Fernanda Montenegro. Assista ao clipe abaixo:

Cármen Lúcia citou Emicida e Carolina de Jesus no julgamento sobre racismo no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira (27), para reconhecer a existência de racismo estrutural no Brasil e defender a adoção de medidas voltadas à proteção dos direitos da população negra.

Durante o julgamento, a ministra Cármen Lúcia destacou manifestações culturais e literárias brasileiras ao citar obras de Emicida e de Carolina de Jesus. As referências foram usadas para ilustrar desigualdades históricas enfrentadas pela população negra.

"Emicida escreveu que pra eles, negros, 'até pra sonhar tem trave; a felicidade do branco é plena e a do preto é quase'. Eu quero uma constituição que seja plena igualmente para todas as pessoas", disse a ministra.

"Naquela música, Emicida diz que '80 tiros me lembram que existe pele alvo e pele alva'. Não é possível continuar vivendo essa tragédia no Brasil", completou.

Larissa e Emicida em Salvador | Foto: Caio Lírio/reprodução/Instagram (@larissaluzeluz)

Carmén Lúcia continuou afirmando que a insuficiência de todas as medidas e providências tomadas até aqui, após 37 anos da Constituição, não revela a superação do racismo histórico e estrutural. "Sem resposta adequada [...], nós poderíamos citar [a escritora] Carolina de Jesus: 'Não digam que sou, da vida, rebotalho, nem que fiquei à margem da vida. Digam que procurei trabalho e sempre fui preterida."

"Não é possível continuar preterindo mais da metade da população brasileira por puro e grave racismo", complementou a magistrada, reiterando que a constituição precisa ser plena. "Não é aviso, não é sugestão, não é proposta. É lei fundamental". 

Confira abaixo: 

Emicida comentou citação da ministra Carmém Lúcia

Após a repercussão da fala de Carmén Lúcia, Emicida compartilhou o vídeo do momento nas redes sociais. Inspirado e citando Angela Alonso, o rapper enalteceu o papel da arte e afirmou estar "honrado e emocionado".

"Obrigada, Ministra, pela carinhosa lembrança! Obrigado, Movimento Negro Unificado e Coalizão Negra Por Direitos, por estarem ombro a ombro nessa luta. Estar ao lado de vocês é uma honra!

Precisamos concluir a abolição, pra ontem!

A rua é nóiz!"

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