Cármen Lúcia cita Emicida e Carolina de Jesus em julgamento sobre racismo no STF

Ministra Carmén Lúcia citou Emicida e Carolina de Jesus para afirmar que constituição brasileira precisa ser plena

Por Juana Castro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira (27), para reconhecer a existência de racismo estrutural no Brasil e defender a adoção de medidas voltadas à proteção dos direitos da população negra.

Durante o julgamento, a ministra Cármen Lúcia destacou manifestações culturais e literárias brasileiras ao citar obras de Emicida e de Carolina de Jesus. As referências foram usadas para ilustrar desigualdades históricas enfrentadas pela população negra.

"Emicida escreveu que pra eles, negros, 'até pra sonhar tem trave; a felicidade do branco é plena e a do preto é quase'. Eu quero uma constituição que seja plena igualmente para todas as pessoas", disse a ministra.

"Naquela música, Emicida diz que '80 tiros me lembram que existe pele alvo e pele alva'. Não é possível continuar vivendo essa tragédia no Brasil", completou, citando a canção "Ismália", de Emicida, que tem participação da cantora baiana Larissa Luz e da atriz Fernanda Montenegro (veja clipe ao final da matéria).

Carmén Lúcia continuou afirmando que a insuficiência de todas as medidas e providências tomadas até aqui, após 37 anos da Constituição, não revela a superação do racismo histórico e estrutural. "Sem resposta adequada [...], nós poderíamos citar [a escritora] Carolina de Jesus: 'Não digam que sou, da vida, rebotalho, nem que fiquei à margem da vida. Digam que procurei trabalho e sempre fui preterida."

"Não é possível continuar preterindo mais da metade da população brasileira por puro e grave racismo", complementou a magistrada, reiterando que a constituição precisa ser plena. "Não é aviso, não é sugestão, não é proposta. É lei fundamental".

Veja abaixo:

 

 

Emicida comentou citação da ministra Carmém Lúcia

Após a repercussão da fala de Carmén Lúcia, Emicida compartilhou o vídeo do momento nas redes sociais. Inspirado e citando Angela Alonso, o rapper enalteceu o papel da arte e afirmou estar "honrado e emocionado".

"Obrigada, Ministra, pela carinhosa lembrança! Obrigado, Movimento Negro Unificado e Coalizão Negra Por Direitos, por estarem ombro a ombro nessa luta. Estar ao lado de vocês é uma honra!

Precisamos concluir a abolição, pra ontem!

A rua é nóiz!"

STF forma maioria para reconhecer racismo estrutural no Brasil

Apesar da maioria formada para reconhecer o racismo estrutural, a Corte permanece dividida sobre se o quadro configura um "estado de coisas inconstitucional" - conceito jurídico que determina a necessidade de ações coordenadas e urgentes dos Poderes da República.

O julgamento prossegue com análises individuais dos ministros, que discutirão possíveis caminhos para políticas públicas de enfrentamento ao racismo no país.

Confira o clipe da música "Ismália", de Emicida, citada pela ministra:

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