IMAGENS: após críticas, Cine Glauber Rocha diz que restringiu terraço por depredação
O Cine Glauber Rocha passou a permitir a entrada no terraço apenas para clientes com ingresso
Por Bruna Castelo Branco.
O Cine Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, em Salvador, afirmou ter enfrentado episódios de depredação e vandalismo em áreas do prédio após a repercussão envolvendo a restrição de acesso ao terraço panorâmico do espaço.
A administração do cinema passou a permitir a entrada na cobertura apenas para clientes com ingresso, medida que gerou críticas nas redes sociais e levantou debates sobre acesso público ao equipamento cultural.

A discussão ganhou força após uma publicação do influenciador Marcelo Filho, conhecido como Ruivo Baiano, convidado do videocast Aratu Tá On, que relacionou a decisão a um suposto processo de gentrificação do Centro Histórico da capital baiana.
Parte das críticas envolve a percepção de que o cinema, por funcionar em um imóvel de concessão estadual, seria um espaço integralmente público e, portanto, de livre circulação.
Cinema nega receber recursos públicos diretos
Em nota de esclarecimento, a direção do Cine Glauber Rocha afirmou que o espaço foi reformado com capital privado e que se mantém “por esforços próprios”.

Segundo o comunicado, a única exceção foi o recebimento de recursos da Lei Paulo Gustavo, criada em caráter emergencial para o setor cultural após os impactos da pandemia da Covid-19.
“O Glauber foi reformado com capital privado e se mantém por esforços próprios. A única exceção foi a lei emergencial Paulo Gustavo”, informou o cinema.
O influenciador Marcelo Filho também questionou, nas redes sociais, a natureza da concessão assinada em 2021 junto ao Governo da Bahia e argumentou que o cinema se beneficia indiretamente de recursos públicos. Veja:
Aluguel é revertido em ingressos para estudantes
Ainda segundo a administração do cinema, desde a pandemia o valor do aluguel devido ao Estado é convertido em ingressos destinados a estudantes da rede pública estadual.
De acordo com a nota, cerca de dois mil alunos têm acesso mensal às salas de cinema por meio de parceria com as secretarias estaduais de Cultura e Educação. Veja vídeo da depredação do espaço:
“O cinema arca com os custos operacionais (luz, água, projeção e distribuidoras), enquanto o Estado providencia o transporte dos alunos”, informou o comunicado.
Restrição ocorreu após episódios de vandalismo
A direção do Cine Glauber Rocha afirmou que a decisão de controlar o acesso ao terraço foi tomada após registros de depredação em diferentes áreas do prédio, incluindo banheiros e a própria cobertura.
“Infelizmente, nos últimos meses o cinema enfrentou situações de comportamento inadequado e depredação do prédio. Além de pias quebradas, lâmpadas furtadas, o que mais doeu foi ver os desenhos de Glauber constantemente danificados”, diz trecho da nota.

Segundo o espaço, após a adoção do acesso controlado, os episódios de vandalismo deixaram de acontecer.
“Operamos com acesso controlado há pouco tempo e os resultados são positivos: as depredações cessaram e o ambiente voltou a ser tranquilo e acolhedor”, afirmou.

Cinema destaca atuação cultural
O Cine Glauber Rocha também afirmou ser um dos cinemas que mais exibem produções brasileiras no país. Segundo a administração, mais de 135 títulos nacionais já foram exibidos em 2026, sem contar festivais.
O equipamento possui administração familiar e é comandado por Marília Hughes Guerreiro e Cláudio Marques, classificados pelo setor como pequenos exibidores por operarem quatro salas.
Ao final da nota, o cinema afirmou seguir “atento e estudando novas formas de ocupação para o terraço” e reafirmou o compromisso com a preservação da cultura baiana e do Centro Histórico de Salvador. Leia o posicionamento na íntegra:
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