Cachês de artistas têm redução de R$ 22 milhões no São João da Bahia, diz MP
Redução de cachês de artistas no São João da Bahia, aponta Painel de Transparência do MP
Os cachês de artistas contratados para o São João na Bahia registraram uma redução superior a R$ 22 milhões em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) nesta terça-feira (16). No mesmo evento, o órgão entregou o Selo Transparência 2026 a mais de 400 municípios baianos que aderiram ao projeto de divulgação dos gastos públicos com o São João.

Painel de Transparência mostra redução de cachês de artistas no São João da Bahia
De acordo com o MPBA, o Painel de Transparência dos Festejos Juninos recebeu dados de 410 municípios e do Governo da Bahia. As informações cadastradas apontam que os investimentos públicos destinados à contratação de atrações artísticas para as festas de 2026 já ultrapassam R$ 615 milhões.
Durante a cerimônia, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (Coapam), Rita Tourinho, destacou que os municípios registraram uma redução nos valores das contratações artísticas neste ano. Segundo ela, a revisão de contratos contribuiu para diminuir os gastos públicos com os festejos. "Mais de 718 contratos envolvendo 53 atrações artísticas resultaram em uma redução superior a R$ 22 milhões nos valores inicialmente previstos", afirmou.
Até o momento, o sistema registra 4.393 apresentações de 2.115 artistas. A plataforma reúne informações sobre atrações contratadas, valores dos cachês, fontes de financiamento e programação dos eventos realizados entre 1º de maio e 31 de julho.
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Entre as novidades desta edição está a criação da aba “Cachês”, que permite acompanhar a evolução dos valores pagos aos artistas desde 2023. Outra ferramenta incorporada ao painel é o “Transparentômetro”, que monitora, em tempo real, a adesão dos municípios à iniciativa.
Criado em 2023, o Painel de Transparência dos Festejos Juninos consolidou-se como um instrumento de controle social e fiscalização dos recursos públicos destinados às celebrações juninas na Bahia, possibilitando que cidadãos, gestores e órgãos de controle acompanhem a aplicação dos investimentos em todo o estado.
Suspensão de shows
O Ministério Público da Bahia recomendou a suspensão imediata dos shows de Maiara e Maraisa, Léo Foguete e outras atrações na cidade de Paramirim, no Sudoeste baiano. A medida chega após o órgão encontrar indícios de superfaturamento e possíveis irregularidades nas contratações das atrações para a festa de Santo Antônio de 2026.

O texto do MP ressaltou ainda a necessidade de seguir parâmetros técnicos rigorosos para validar a razoabilidade dos preços praticados no setor de eventos públicos. No documento acessado pelo Aratu ON, o valor contratado, conforme o Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP) seria de R$ 450.000,00 apresentação do cantor Léo Foguete em 11 de junho de 2026, na cidade.
A medida destacou que a quantia está 28,57% acima do parâmetro de razoabilidade calculado com base na média de cachês do artista em 2025, corrigida pelo IPCA. O cachê de Maiara e Maraísa para o evento no município não havia sido localizada no PNCP.
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No entanto, o MP apontou que há ciência de que a média dos valores cobrados pelas artistas em outras apresentações no estado da Bahia, no ano de 2026, supera os R$ 700.000,00 (setecentos mil reais).
Outro ponto questionado pelo órgão tratou do valor contratado para o artista Rey Vaqueiro. De acordo com o painel, a quantia seria de R$ 450.000,00, para um show no dia 10 de junho. No entanto, segundo o Ministério Público, a média de cachê cobrada pelo artista em municípios da Bahia nos festejos de 2025 foi de R$ 280.000,00.
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Outras contratações alvo do MPBA
Além disso, o MP-BA informou que os valores oferecidos para a contratação de Marcynho Sensação, Vitinho Forró, Xodó da Bahia, Bonde da 51 e Waldonys, não foram divulgados.
O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) recomendou também a suspensão das apresentações da banda Calcinha Preta e do cantor Netto Brito em Iraquara. Os contratos, firmados pelo Município para o São João, somam R$ 936 mil e, segundo o órgão, apresentam valores acima dos praticados no mercado.
A recomendação, expedida pelo promotor de Justiça Lucas Peixoto Valente na quarta-feira (6), leva em consideração dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos e do Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP), que apontam valores acima da média estadual.
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