Autor das Helenas, Manoel Carlos morre e marca história da teledramaturgia
Manoel Carlos, o Maneco, como era carinhosamente chamado, morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro
Ícone da teledramaturgia brasileira, o autor que eternizou o Rio de Janeiro em obras como "Por Amor" e "Laços de Família". Manoel Carlos, o Maneco, como era carinhosamente chamado, faleceu aos 92 anos, neste sábado (10) na capital fluminense.
Natural de São Paulo, mas carioca de coração, ele transformou o bairro do Leblon em cenário mundial e elevou o drama cotidiano ao status de arte na teledramaturgia brasileira.

A Era das Helenas
A maior assinatura de Manoel Carlos foi, sem dúvida, a criação das "Helenas". Suas protagonistas eram mulheres complexas, falíveis e, acima de tudo, mães capazes de sacrifícios extremos pelos filhos.
A linhagem começou com Lílian Lemmertz (Baila Comigo) e passou por nomes como Regina Duarte (em três ocasiões), Vera Fischer, Christiane Torloni e Taís Araújo, que interpretou a primeira Helena negra em Viver a Vida (2009). A última a dar vida ao nome foi Júlia Lemmertz, filha de sua primeira musa, em Em Família (2014).
Antes de se tornar o "cronista do Leblon", Maneco trilhou um longo caminho:
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Início como Ator: Estreou aos 17 anos no Grande Teatro Tupi.
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Pioneirismo na TV: Passou pela fase inaugural da Record e Itacolomi. Na Tupi-RJ, adaptou mais de 100 teleteatros.
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Chegada à Globo: Estreou em 1972 como diretor-geral do Fantástico. Sua primeira novela na emissora foi Maria, Maria (1978).
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Parcerias de Sucesso: Colaborou com Gilberto Braga em Água Viva (1980) e escreveu episódios do icônico Malu Mulher.
Além das novelas, Maneco deixou sua marca em minisséries de grande impacto psicológico, como o fenômeno Presença de Anita (2001) e a cinebiografia Maysa – Quando Fala o Coração (2009).

Carreira
O autor era mestre em criar momentos de comoção nacional. Em Laços de Família (2000), ele sensibilizou o público com a luta de Helena (Vera Fischer) para salvar a filha, Camila (Carolina Dieckmann), da leucemia. A cena em que a jovem raspa o cabelo ao som de "Love by Grace" tornou-se um dos marcos definitivos da história da TV brasileira, rendendo ao autor prêmios como o Troféu Imprensa e o Prêmio Extra.
A paixão pela literatura nasceu cedo. Aos 14 anos, Maneco já integrava o grupo "Adoradores de Minerva" na Biblioteca Municipal de São Paulo, onde debatia artes com jovens que se tornariam gigantes, como Fernanda Montenegro e Antunes Filho.
Na vida pessoal, o autor enfrentou tragédias que muitas vezes espelhavam a intensidade de seus dramas ficcionais. Ele sobreviveu à perda de três filhos: Ricardo (1988), Manoel Carlos Júnior (2012) e Pedro (2014). Deixa a filha Júlia Almeida, atriz, e Maria Carolina, roteirista que foi sua colaboradora constante.
Velório de Manoel Carlos será restrito a amigos e familiares
O velório do autor de novelas, Manoel Carlos, será fechado, restrito a familiares e amigos próximos. A informação foi publicada pela produtora da família, a Boa Palavra, que informou que os familiares agradecem "as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado".
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