Negros recebem R$ 3 mil a menos que brancos na Bahia, aponta relatório

O Ministério do Trabalho divulgou relatório que aponta uma diferença de R$ 3 mil entre salários de pessoas negras e brancas na Bahia

Por Bruna Castelo Branco.

O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou o Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026, que aponta uma diferença média de R$ 3 mil entre os salários de pessoas negras e brancas na Bahia.

Segundo o levantamento, apesar de a população negra representar a maioria dos vínculos empregatícios no estado — equivalente a 84,2% —, ela segue sub-representada em cargos de liderança, funções técnicas com maiores salários e empregos formais com proteção social mais ampla.

O Ministério do Trabalho divulgou relatório que aponta uma diferença de R$ 3 mil entre salários de pessoas negras e brancas na Bahia. | Foto: Lucas Pezeta/Pexels

Os dados mostram que a desigualdade salarial persiste mesmo quando trabalhadores exercem as mesmas funções. De acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, profissionais negros recebem menos que trabalhadores brancos em todos os grupos ocupacionais analisados.

Em cargos de gerência e diretoria, por exemplo, a diferença salarial chega a R$ 3.385.

O levantamento também aponta disparidade conforme o nível de escolaridade. Em todas as faixas de instrução, pessoas brancas recebem salários superiores aos de pretos e pardos. A maior diferença aparece entre trabalhadores com ensino superior completo, grupo em que brancos ganham cerca de 45% a mais que negros.

Mulheres negras ganham ainda menos

O relatório destaca ainda que a desigualdade é mais acentuada entre mulheres negras. Na comparação com homens não negros — grupo com maior média salarial —, as trabalhadoras negras baianas recebem, em média, R$ 2.473,89 a menos.

Segundo os dados, a remuneração média das mulheres negras na Bahia é de R$ 2.645,93. Elas representam 286.920 vínculos empregatícios, o equivalente a 34,4% do total registrado no estado, formando o segundo maior grupo de trabalhadores, atrás apenas dos homens negros.

O relatório destaca ainda que a desigualdade é mais acentuada entre mulheres negras. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Legislação prevê punições

A legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias no mercado de trabalho, incluindo discriminação racial. Entre as normas citadas estão o Estatuto da Igualdade Racial, além das leis Lei 9.029/1995 e Lei 14.532/2023.

A Constituição Federal também proíbe diferenças salariais motivadas por raça, sexo ou outras formas de discriminação.

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